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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

anti-seleção

 Chama-se anti-seleção uma prática perversa que se traduz em eleger a pior de todas as escolhas possíveis.
 Assim tem acontecido notoriamente nalgumas organizações de representação de interesses corporativos como, por exemplo, a Ordem dos Advogados ou a Associação Portuguesa de Bancos ou a Associação Portuguesa de Seguradores. Nestes casos, havia gente muito mais representativa e com melhor qualidade para presidir àqueles organismos, mas foram escolhidas as soluções correspondentes ao menor denominador comum. Os interesses representados preferiram uma solução fraca.
 Também na Comissão Europeia, Barroso é representativo duma prática de anti-seleção.
 Em Portugal (e noutros sítios) a anti-seleção constitui a resposta incompetente ao receio de que o representante assuma efectivamente a representação dos interesses que lhe são confiados e tome iniciativas sem pedir licença, caso a caso, a quem o nomeou. São assim designados aqueles que devem e ficam a dever favores, que mais ninguem quer noutro lugar, que falharam e são assim emprateleirados, que têm espírito serviçal, que não têm espinha dorsal... e às vezes, mesmo, muito pior.
 Portugal tem sofrido na carne e vai possivelmente continuar a sofrer as consequências nocivas da anti-seleção. Com os piores a serem sistematicamente escolhidos para a liderança de muitas instituições, não há país de funcione decentemente.
 Commonsense dixit.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

globalização e dumping social

Enquanto se mantiver a globalização sem controlo, o dumping social praticado pela China vai continuar a criar uma situação em que as indústrias europeias só serão competitivas quando praticarem os salários e as condições laborais que existem na China. Mas isso não vai acontecer sem uma revolução na rua.
O dumping social chinez, todavia, só vai poder manter-se enquanto não houver na China uma revolução na rua.
Revolução por revolução, penso eu, antes lá do que cá.
A única maneira de conseguir pôr termo ao dumping social na china e à revolução na rua é controlar a globalização e impor às importações provenientes da China (e outras partes onde se pratique o dumping social) taxas alfandegárias de valor correspondente à distorção da concorrência causada pelo dumping social.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Villepin e Blair

Dominique de Villepin foi absolvido no processo 'Clearstream'. Sempre tive dele a melhor opinião, reforçada pela defesa que fez no Conselho de Segurança das Nações Unidas duma solução de paz para o Iraque. Na altura foi aplaudido de pé. Mas os americanos não gostaram e acabaram por conseguir afastá-lo da presidência francesa com um processo que é típico da CIA, a invenção e a montagem de uma acusação infamante. Villepin, homem de uma vasta cultura e de postura aristocrática, era bem a imagem da Europa em que me revejo.

No inquérito sobre a entrada do Reino Unido na Guerra do Iraque, Blair recusou qualquer arrependimento mesmo perante a não existência das tristemente célebres armas de destruição maciça (WMD). Recordo-me do dia em que o ataque começou. Um dia antes da data anunciada, um bairro habitacional Bagdad sem qualquer valor estratégico foi atacado e destruído com mísseis de cruzeiro com o pretexto de que Sadam estaria num restaurante ali existente. Sadam não estava lá, mas foi morto uma número indeterminado de civis inocentes, não combatentes e indefesos. Este ataque não pode deixar de ser qualificado como uma crime de guerra mas, não obstante, ninguém foi por ele trazido ao banco dos réus. Blair ficou conhecido como o 'Yankee Poodle'.

A comparação destes dois casos dá que pensar, ou devia dar... Mas, hoje, já pouco se pensa: lê-se e vê-se nos media de referência o pensamento já construído alhures, destinado a ser consumido como fast food.

sábado, 23 de janeiro de 2010

seja como Deus quiser

Uma semana inteira entre Viena e Budapest. Uma muito mais, outra bastante menos desenvolvida do que nós. Amanhã aterro em Lisboa. Além de temperaturas negativas e muita neve, ganhei distanciamento e desintoxiquei dos media portugueses. Só estive com gente muito inteligente e muito capaz.
Quase que tenho medo de aterrar no rectângulo estreito. Vou precisar de readaptação à estupidez local.
Seja como Deus quiser...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

negociar o orçamento

Toda a gente bem pensante, na política, diz com uma ar de boa consciência que o governo deve negociar seriamente com a oposição a passagem no orçamento.
Também acho.
Também diz que não devem ser evitadas as divisões profundas entre os portugueses.
E também acho.
Então, proponho que o Governo deixe cair a proposta dos casamentos homossexuais e deixe de fazer provocações morais a mais de metade - ou pelo menos a um número importante de portugueses.
Pessoal, politica e moralmente, acho que vale bem a pena deixar cair o orçamento em vez de deixar cair o casamento.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

a nova ortografia

Tenho estado a estudar o novo acordo ortográfico. Cheguei à conclusão de que muda bem pouca coisa, além de acrescentar à lingua três consoantes que já se usavam - K, Y e W - de manter algumas duplas grafias e acentuações com acento agudo ou circunflexo em palavras esdrúxulas (económico-econômico). O que mais incomoda os portugueses é a eliminação de consoantes mudas a que estamos habituados mas que não fazem grande falta (p. ex. sector-setor, acção-ação). Atenção: desaparecem os tremas no Brasil (p. ex. delinqüir-delinquir, tranqüilo-tranquilo).

Porquê, então, tanta animosidade?
Conheço relativamente bem o Brasil e vendo lá perto de 1/3 do que escrevo. Tenho mesmo um neto bi-nacional.
No Brasil há ainda um «complexo do colonizado» que leva alguns brasileiros a imputarem aos portugueses a culpa dos seus defeitos, assim com aqui há ainda um complexo imperial que leva muitos portugueses a considerarem-se os donos da língua. São duas atitudes erradas e, posso dizê-lo, muito minoritárias em ambos os países.
Mas há uma política externa americana persistente em afastar os países da américa do sul em relação aos seus ex-impérios: Portugal-Brasil; Espanha-México, etc. Esta política tem apoiantes em ambos os países, a maior parte inconscientemente. No Brasil, nem toda a população tem origem ou laços portugueses e os pró-americanos quiseram separar as línguas e criar uma «língua nacional». Houve um congresso filológico em que se decidiu - bem - que as diferenças existem também dentro de cada um dos países e que a língua portuguesa é aquela que é falada pelos povos que falam português. Eu estava lá e acompanhei. Achei engraçado o carácter circular da fórmula, que nem por isso, é menos eficiente.

A separação das línguas seria dramática para Portugal, que ficaria com uma «linguinha», falada apenas por 11 milhões, que rapidamente perderia o estatuto de língua de primeira classe para o brasileiro, e acabaria até por deixar de ser língua oficial na UE, no Vaticano, etc. Era a falta de unificação que impedia que o português fosse língua oficial da ONU, embora os brasileiros nunca deixem de a usar (o que os portugueses incompreensivelmente não fazem). Seria mesmo péssimo encontrar nos vários softwares de texto a referência a, pelo menos, oito, línguas portuguesas.

Com o acordo ortográfico a língua portuguesa é só uma, falada por perto de 250 milhões de pessoas (195 milhões são brasileiros), e fica em 7º lugar no mundo. É uma língua de primeira dimensão.
Há outra vantagem, que não é de somenos: permite que os tratados internacionais entre Portugal e Brasil, p. ex., deixem de ser escritos em dois instrumentos.

Pesados os prós e os contras, estou decididamente a favor da unificação da língua.

Posso confessar que gostava mais da versão - essa também unificada - do português que se escrevia no séc. XIX, no tempo dos bons escritores. Mas fomos nós, no tempo da Primeira República, que a estragámos, sem dar cavaco aos brasileiros.

sábado, 19 de dezembro de 2009

a lei e a natureza das coisas

A lei pode dizer que 2+2=3. Pode dizer que Sócrates é Engenheiro, que o Partido Socialista é sério, que as obras públicas são honestas, que o défice orçamental é aquele.
Não adianta: é mentira.

A lei pode revogar a morte em homenagem ao direito constitucional à vida.
Pode revogar a doença em homenagem ao direito constitucional à saúde.
Pode abolir o desemprego, em homenagem ao direito constitucional ao trabalho.
Não resulta: a realidade é o que é e não o que a lei diz.

A lei pode dizer que a baleia é um peixe, que o morçego é um pássaro ou que uma zebra é uma cavalo às riscas.
Não adianta: as coisas são o que são e não o que a lei possa dizer que são.

A lei pode decretar os casamentos homossexuais, o tribunal constitucional pode confirmá-los, os jornalistas podem adorá-los, os maricas e as fufas podem festejá-los.
E daí? o casamento será sempre o que sempre foi.

Commonsense continuará a não aceitar casamentos homossexuais,

Este foi mais um prego no caixão da segunda república: a mais corrupta, a mais porca e a mais imoral de todas.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

denial syndrome

Denial is a defense mechanism postulated by Sigmund Freud, in which a person is faced with a fact that is too uncomfortable to accept and rejects it instead, insisting that it is not true despite what may be overwhelming evidence.

Numa primeira fase, negaram que houvesse crise económica; numa segunda fase (actual), acusam-na de ser de indução externa e negam de seja uma crise económica interna.

Enquanto continuarem a negar não começarão a enfrentar.

Haverá por aí algum psicanalista patriota que esteja disposto a falar com eles?

domingo, 6 de dezembro de 2009

Copenhaga - Deus queira que sim.

Muito mais do que o futuro da preservação da natureza, o que está em jogo na Conferência de Copenhaga, que agora começou, é a saúde da comunidade internacional, do multilateralismo, da Humanidade.
Eu sei, eu sei, que os objectivos de Copenhaga são caros. Mas não creio que tragam, só por si, uma degradação da qualidade de vida. Pelo contrário, poderão evitar o progressivo envenenamento do ambiente em que vivemos. Pode, é verdade, estragar o consumismo desenfreado das últimas décadas, mas isso não é tão mau assim.
Eu também sei que a questão do aquecimento global está seriamente posta em causa pelo «climagate». Mas sempre achei exagerado o catastrofismo que o envolvia. Nunca estive seguro e continuo a não estar de que haja, sequer, um aquecimento global, muito menos que seja induzido pelas causas que lhe atribuem ou que tenha as consequências dramáticas que lhe anunciam. Mas acho que é preciso não permitir que a ganância acéfala e a sofreguidão do dinheiro, conspurquem e envenenem o ambiente de todos.
Mas, voltando ao tema.
De Copenhaga, o convívio dos povos e das nações do mundo vai sair reforçado, ou não.
Deus queira que sim.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

muitas crianças a chorar

Mais um ano, já nem sei quantos já la vão, desde que começou o maior e o mais nojento processo da justiça portuguesa.
O festival de chicana processual, o poder económico e mediatico dos pedófilos, a fraqueza económica e social das vítimas, os grupos de interesse envolvidos, conseguiram contaminar a justiça portuguesa com aquela lepra da perversão, da corrupção, da anomia.
A anomia é a falta total de princípios, de valores e de regras morais.
Com o auxílio de opiniões jurídicas em pareceres comprados a dinheiro, de advogados mercenários cuja consciência é lavada a dinheiro, com o auxílio de jornalistas cúmplices complacentes cujas prosas são inspiradas a dinheiro, e com a cumplicidade dos muitos adeptos desconhecidos (mas reais) daquelas práticas abomináveis, receio bem que não venha a ser feita justiça.
No fundo estamos mais uma vez perante o poder crescente do loby gay. Sim, Gay, porque no caso da Casa Pia houve muita pedofilia, mas nunca o envolvimento de mulheres ou de meninas. Desde o Pedroso, ao Herman, ao Cruz, ao Ritto (com dois tt, que querido), a todos os outros, é sempre de homosexualidade masculina, de pederastia que se trata, na sua versão mais porca e mais reles, a do aproveitamento da fraqueza das crianças.
A rede da maricagem é extensa e poderosa, e talvez consiga safar os seus pares.
Mas importa não esquecer também que o principal réu do processo é o Estado Português. O Estado que tirou crianças às sua famílias para as internar naquele mostruário onde as mais repelentes criaturas as iam buscar para as abusar sexualmente. Algumas destas crianças viviam em famílias problemáticas, é verdade, mas com certeza não tão problemáticas quanto a Casa Pia. Outras nem sequer tinham uma família que as pudesse socorrer. Foi o crime mais cobarde e mais hediondo da História de Portugal.
Se forem absolvidos os arguidos, convido daqui todas as pessoas de boa vontade para a construção em frente à Casa Pia, por subscrição pública, de um Monumento à Injustiça.
Proponho que seja uma escultura colectiva de muitas crianças a chorar.

sábado, 21 de novembro de 2009

a nave dos loucos

Ponho-me na posição do inglês no Uganda e olho para cá com o mesmo espanto que qualquer estrangeiro que passe por aqui sem ser em turismo. E penso: esta gente está toda doida.

O Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o Procurador-Geral da República detestam-se há anos, mas têm ambos, por igual, o sentido da oportunidade – há quem lhe chame do oportunismo – na construção das respectivas carreiras profissionais. Embora pareça já não haver mais por onde subir, nunca se sabe e convém estar sempre de bem com quem importa. E, assim, esmeram-se ambos em desresponsabilizar o Primeiro Ministro, em deixá-lo incólume e sem incómodo, mas – claro está – atirando a culpa um para o outro.

O Ministro das Finanças apresenta um remendo ao orçamento em que quer mais quatro mil e tal milhões de euros, porque já não há mais dinheiro para gastar. Quer dizer: o País faliu. E, perante isto, desatam os políticos, os comentadores e os jornalistas em exercícios verbais: é um «orçamento rectificativo» ou um «orçamento redistributivo». E não se cansam de debater esta «vexata quaestio».

O DIAP de Aveiro apanhou um rede de corrupção e tráfego de influências. E logo se empenha tudo a discutir sobre escutas telefónicas, como se a corrupção fosse um honesto ofício e a investigação criminal uma perversão pestilenta.

Uma empresa pública do sector das estradas «perdoa» 430 milhões de euros a dois empreiteiros – muito próximos do Governo, quem diria. Em vez de se demitir e pintar a cara de preto, o respectivo presidente indigna-se contra o Tribunal de Contas que discordou desse «virtuoso desprendimento» e ameaça quem apareceu na televisão a falar do assunto.

Houve dois bancos que faliram fraudulentamente e ninguém está preso. O ex-presidente de um deles queixa-se que não tem dinheiro para viver. Será que lhe vão dar o «rendimento mínimo de inserção»?

Não sei se há qualquer coisa na água que os portugueses bebem, ou se têm «bug» no software.

Acho que estão loucos, doidos varridos, estão mesmo de internar.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

o pequeno mundo dos jornalistas

Estive em Berlim a última semana da campanha eleitoral. Lá debatia-se a próxima geração. Aqui discutia-se o que os jornalistas traziam à discussão.
Em Portugal a política, a actividade cívica... e até o futebol... tudo é determinado pelo que os jornalistas pensam e dizem.
Estamos reféns do pequeno mundo dos jornalistas.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

...e ainda pior...

Como se não chegasse, agora foi o Conselho Superior da Magistratura a «congelar» a classificação do Juiz que acusou o Pedroso no processo Casa Pia. Segundo a imprensa, este «congelamento» foi provocado pelos três socialistas de serviço no Conselho e por causa da acusação que formulou contra Pedroso.

Com esta prática, ficam os demais magistrados a saber que quem acusar socialistas importantes, por exemplo, Sócrates, vai ser prejudicado na sua classificação e, portanto, na sua carreira.

Isto é demasiado grave. Depois das pressões sobre o Ministério Público, sobre a comunicação social, sobre os funcionários públicos, sobre os empresários, etc., etc., agora são os próprios Juízes que são despudoradamente pressionados, condicionados, ameaçados, «congelados».

É mesmo tão grave que ainda me vai levar a reconsiderar a minha opção pelo voto branco: é que, por mais que me custe votar na Manuela e nos seus anõesinhos, repugna-me vir (ou continuar) a ser governado... por «isto».

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

...de mal a pior...

Esta demissão de Fernando Lima é muitíssimo estranha. Conheço-o dos meus tempos de política activa e custa-me a acreditar que tenha feito o que quer que seja sem instruções específicas ou sem a aprovação expressa do Presidente da República. Ao afastá-lo, o Presidente fica enfraquecido: os seus apoiantes mais próximos não vão confiar nele da mesma maneira.
Por sua vez, o enfraquecimento político do Presidente é péssimo para o País. Na falta de maiorias, a próxima solução de governo necessita de uma mediação presidencial e pode mesmo vir a precisar de um reforço da intervenção da Presidência da República na governação durante o próximo quadriénio.
Vejo com muita preocupação a situação política, em Portugal, a degradar-se aceleradamente, quando é previsível o agravamento da situação económica e o aprofundamento da crise social.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

the day after

Muito mais do que o que se diz e faz nas campanhas, nos debates e até nos gatos fedorentos, interessa-me o que se fará quando isto tudo passar, seja qual for o governo... no dia seguinte.
Olhando para situação da economia e das finanças, as perpectivas são péssimas. O próximo governo, seja ele qual for, vai ter de tomar medidas draconianas. Não sei quais serão e nem me apetece pensar nisso.
Mas, já agora, recordo que, na Hungria, o IVA foi subido para 25% (com um efeito dramático nos preços) e a função pública foi reduzida a 12 meses por ano.
Pensem nisto.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

crisis, what crisis?

Do Correio da Manhã de hoje:

Bastonário paga jantar de 300 euros com ministro

A reunião de "alto nível" realizada na Ordem dos Advogados há uma semana, que juntou Marinho Pinto, Alberto Costa, Pinto Monteiro e Noronha Nascimento, acabou também com um jantar de "alto nível" num dos mais caros restaurantes de Lisboa. Já sem o presidente do Tribunal de Justiça, Noronha Nascimento, o bastonário da Ordem dos Advogados, o ministro da Justiça e o procurador-geral da República jantaram no Gambrinus, e a refeição, regada com uma garrafa de tinto ‘Evel Grande Escolha’ de 2004 – que naquele restaurante custa 96 euros –, ascendeu a perto de 300 €, segundo apurou o CM.

Nota 1: Este Bastonário começou o seu mandato a criticar as despesas dos anteriores membros da Ordem no Gambrinus
Nota 2: O Gambrinus é conhecido como «a cantina da Ordem dos Advogados»
Nota 3: Cantaria o Zeca Afonso: Eles comem tudo e não deixam nada...

domingo, 13 de setembro de 2009

terra do fogo

Commonsense acaba de regressar de algures no Norte. Durante duas semanas, foi raro o dia em que não teve um incêndio a distância preocupante, alguns com honras de helicópteros e tudo.

Houve de tudo: beatas atiradas das janelas dos carros para a berma da estrada, queimadas imprudentes (e proibidas) mal controladas, ódios velhos e até fogos postos descaradamente.

Dá para alvitrar que o Norte de Portugal passe a ser chamado Terra do Fogo.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

privatização da saúde e da segurança social

Está em brasa, nos Estados Unidos, a discussão sobre a privatização, ou não, da segurança social e do sistema de saúde. A privatização teria duas vantagens: (1) a alimentação do mercado de capitais com fundos astronómicos que deixariam de ser mal geridos pelo Estado e proporcionariam uma capacidade acrescida de financiamento das empresas; (2) a gestão privada seriam sempre melhor do que a pública, quer a gestão financeira os fundos recebidos dos particulares, que a gestão operacional dos serviços de saúde e de segurança social.

Hoje ambas as vantagens foram desmentidas pelos próprios interesses privados candidatos à gestão dos sistemas de saúde e de segurança social. Com a actual crise financeira, deram tais provas de ganância, incompetência e desonestidade que ninguém no seu prefeito juízo se atreverá a confiar-lhes a gestão dos sistemas nacionais de saúde e de segurança social.

Antes alguma ineficiência estadual do que aquilo que se viu, se vê e se verá.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

o Procurador-Geral da República

Com o perfil que foi lhe sendo dado, o Procurador-Geral da República deveria funcionar como o Pretor na República Romana (não no Principado nem no Império)- o Praetor Urbanus - e ser eleito pelo Parlamento, por maioria qualificada.
Responderia, então, perante o Parlamento e o POVO, pela política criminal e pelo combate à criminalidade, e seria destituido pelo Parlamento. A Polícia Judiciária ficaria na sua dependência directa e deixaria de ser uma Direcção-Geral do Ministério da Justiça.
O PGR teria de prestar contas, o que hoje não sucede. Explicar o que faz e, principalmente, o que não faz; porque é que constitui arguido o Dias Loureiro e não o Sócrates. Esta espécie de «legitimidade divina» do PGR é incompatível com os mais básicos princípios de democracia e só pode suscitar a maior desconfiança nos cidadãos.
Quando andava na política, fiz esta proposta e quase que me bateram.
Enfim, cada povo tem as instituições que merece.

sábado, 29 de agosto de 2009

o processo penal das pessoas importantes

Se Sócrates não fosse primeiro ministro de líder do PS já tinha sido constituído arguido no caso Freeport. Do mesmo modo, Vale e Azevedo só foi constituído arguido depois de perder a presidência do Benfica, Jardim Gonçalves depois de cair do BCP e Dias Loureiro depois de sair do Conselho de Estado.
Isto vem a propósito de notícias segundo as quais o processo Freeport já está «praticamente pronto» e só falta muito pouco para ser terminado. Entretanto, foram constituídos arguidos todos os próximos de Sócrates no Ministério do Ambiente, mas Sócrates não.
Não, ou ainda não? That is the question!
Vários indícios e pessoas apontam para Sócrates. Desde o célebre vídeo até as casinhas no Heron Castilho. Por isto, num inquérito competentemente e sadiamente desenvolvido Sócrates já teria sido ouvido. Não são suficientes as «declarações» que tem prestado na comunicação social. e, a ser ouvido, terá de o ser como suspeito, isto é, como arguido.
Eu sei que, enquanto for Primeiro Ministro, tal nunca sucederá, porque o processo penal português não tem «dente» para as pessoas importantes.
Mas daqui lanço um desafio ao Produrador-Geral da República: se o processo for concluído sem que Sócrates tenha sido ouvido como arguido, será a segunda maior vergonha da história do Ministério Público: a primeira foi o encobrimento no processo de Camarate. Pinto Monteiro e Cândida Almeida entrarão na celebridade... pela pior razão.