O meu avô contava-me que os ingleses, no Uganda, vestiam-se de smoking para jantar, nem que estivessem numa tenda no mato. Era a maneira de não se deixarem cafrealizar. Tinham um conceito alargado de natureza que incluída as trovadas, os crocodilos, as montanhas, o capim, as cobras e os governantes locais. Encaravam tudo isto como uma inevitabilidade, mas não se misturavam.
Como Portugal se está a tornar Uganda, Commonsense vai tornar-se um «inglês no Uganda»: o dia, a noite, o vento, o mar, os bichos, o ladrões, os corruptos, os recebedores-de-comissões, os arranjadores-de-negócios, os compradores-de-jornalistas, os pagadores-de-políticos, os jornalistas e os políticos, a escom, a mota/engil, o jorge coelho, o isaltino, o valentim loureiro, a fátima felgueiras, o paulo pedroso, o sócrates, o eleitorado, os traficantes e os drogados, os pedófilos e os seus advogados, os banqueiros e os agiotas, tudo isto é inevitável e faz parte da natureza. É preciso viver com tudo isso, sem me misturar nem me cafrealizar. E não vale a pena dar murros em pontas de facas.
Como já não há os ingleses que andavam no Uganda nem o Uganda desse tempo, numa actualização imprescindível, Commonsense será aqui como um Europeu em Portugal.
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