Comemora-se hoje mais um 5 de Outubro, mais um aniversário da implantação da República.
Durante o Estado Novo, esta efeméride servia de pretexto para as manifestações possíveis da oposição (o reviralho, como lhe chamava a situação).
Hoje, salvo a ternura que lhe dedica a comunidade maçónica, quase ninguém lhe dá importância nenhuma.
A relativa irrelevância da data vem da relativa inutilidade e ineficácia do facto. Mudou o regime de monarquia para república, a família real exilou-se mas, salvo as ininteligentes manifestações de anticlericalismo e algumas violências carbonárias, o sistema político da República foi mais ou menos igual ao da monarquia: um regime parlamentar com governos fracos e caducos, instabilidade política e crise financeira endémica. A República acabou por morrer às mãos da sua própria inépcia e incipiência, e sob o cutelo final do Estado Novo.
O 5 de Outubro, hoje, é mais um feriado em que os lisboetas saem da cidade e ninguém (quase) se dá ao incómodo de concentrar na Praça do Município.
Podia bem servir para que os políticos, os partidos e os titulares dos cargos públicos meditassem sobre a perda de respeitabilidade e de credibilidade das instituições democráticas na generalidade da população, hoje.
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Há 10 anos
