domingo, 22 de novembro de 2009

low profile

A União Europeia designou o Presidente do Conselho Europeu - Herman Van Rompuy - e a a Alta Representante para a Política Externa - Catherine Ashton.
Foi uma opção de low profile.
Para a Presidência não foi Junker nem Blair. Nem um eurocêntrico nem um eurocéptico. Foi um político muito inteligente, ponderado, respeitado e construtor de consensos. Penso que foi uma boa escolha. O avanço institucional (aprofundamento) da UE foi muito forte e importa evitar rupturas. Nesse aspecto, foi a escolha ideal. É claro que é mais um Presidente interno do que externo, mas foi o que era preciso. O tempo é de consolidação.
Catherine Ashton vem do comércio externo, onde teve uma boa experiência e desempenhou um óptimo papel. A sua designação significa que a diplomacia da União vai ser dominantemente económica. A UE não se vai entreter muito com conflitos armados, mas sobretudo vai tratar das questões do comércio e da economia internacionais. Que eu saiba, é disso que a Europa precisa neste momento.
Os analistas e os jornalistas ficaram decepcionados. Não houve crises nem espectáculo. Houve commonsense.

sábado, 21 de novembro de 2009

a nave dos loucos

Ponho-me na posição do inglês no Uganda e olho para cá com o mesmo espanto que qualquer estrangeiro que passe por aqui sem ser em turismo. E penso: esta gente está toda doida.

O Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o Procurador-Geral da República detestam-se há anos, mas têm ambos, por igual, o sentido da oportunidade – há quem lhe chame do oportunismo – na construção das respectivas carreiras profissionais. Embora pareça já não haver mais por onde subir, nunca se sabe e convém estar sempre de bem com quem importa. E, assim, esmeram-se ambos em desresponsabilizar o Primeiro Ministro, em deixá-lo incólume e sem incómodo, mas – claro está – atirando a culpa um para o outro.

O Ministro das Finanças apresenta um remendo ao orçamento em que quer mais quatro mil e tal milhões de euros, porque já não há mais dinheiro para gastar. Quer dizer: o País faliu. E, perante isto, desatam os políticos, os comentadores e os jornalistas em exercícios verbais: é um «orçamento rectificativo» ou um «orçamento redistributivo». E não se cansam de debater esta «vexata quaestio».

O DIAP de Aveiro apanhou um rede de corrupção e tráfego de influências. E logo se empenha tudo a discutir sobre escutas telefónicas, como se a corrupção fosse um honesto ofício e a investigação criminal uma perversão pestilenta.

Uma empresa pública do sector das estradas «perdoa» 430 milhões de euros a dois empreiteiros – muito próximos do Governo, quem diria. Em vez de se demitir e pintar a cara de preto, o respectivo presidente indigna-se contra o Tribunal de Contas que discordou desse «virtuoso desprendimento» e ameaça quem apareceu na televisão a falar do assunto.

Houve dois bancos que faliram fraudulentamente e ninguém está preso. O ex-presidente de um deles queixa-se que não tem dinheiro para viver. Será que lhe vão dar o «rendimento mínimo de inserção»?

Não sei se há qualquer coisa na água que os portugueses bebem, ou se têm «bug» no software.

Acho que estão loucos, doidos varridos, estão mesmo de internar.

domingo, 15 de novembro de 2009

o novo hino do PS

Depois de tudo o que se esta a passar, proponho um novo hino para o PS:
É tocado e cantado pelos Beatles e chama-se  MONEY                                


horizonte sombrio

Há notícias sobre a recuperação económica na União Europeia e em Portugal. Por enquanto ainda tímida.

Não sei se a notícia é mesmo boa ou é só menos má. O regresso ao crescimento poderá trazer consigo a inflação e o aumento das taxas de juro. O problema é o da descoincidência entre os ritmos das economias europeias e da portuguesa. Se a economia portuguesa não acompanhar a recuperação da economia europeia, se não crescer de todo ou se crescer acentuadamente menos, a sua situação agravar-se-á. A dívida pública e a dívida privada, internas e externas, que hoje são enormes passarão ser ser muito mais caras, o que irá absorver os poucos recurso disponíveis para o investimento e agravar ainda mais os desequilíbrios.

Entretanto,  a União Europeia já fixou a Portugal um ritmo de recuperação do défice que porá o País a pão e água durante anos. Adeus hiper-consumo. Sem ser puxada pelo consumo interno, a economia portuguesa vai ter de contar principalmente com as exportações. Nos serviços, o turismo continuará a pontificar, mas as manufacturas, subcapitalizadas e com baixa competitividade vão sentir dificuldades. Entretanto, uma banca descapitalizada e com hábitos persistentes de crédito predatório, não vai ajudar.

A agravar tudo isto, a falta de qualidade das estruturas políticas e dos seus protagonistas não pode ajudar.
 

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

i can get no satisfaction

Há alguém que consiga estar satisfeito com o estado em que isto está?
No, no, no...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

será possível, ou mesmo aconselhável ?

Será possível, ou mesmo aconselhável, manter este primeiro ministro a governar Portugal, quando são de prever dificuldades financeiras gravíssimas, políticas económicas e restrições orçamentais severíssimas, tremendas dificuldades para os portugueses e, quiçá, perturbações ou mesmo rupturas sociais com violência na rua?
Este primeiro ministro está envolvido em cada coisa e em tais coisas que está a perder aceleradamente a respeitabilidade.
Os dias maus que aí virão exigem um governo legitimado substancialmente (não chega a legitimidade constitucional-formal) dirigido por um primeiro ministro acima de qualquer suspeita, em quem os portugueses tenham plena confiança quanto à seriedade e competência.
Esse primeiro ministro não é este primeiro ministro.
Mas será possível, ou mesmo aconselhável, mudar de primeiro ministro nesta altura, como ou sem novas eleições? Não irá essa mudança agravar ainda mais o défice de confiança dos portugueses nas instituições e o pessimismo geral?
Não interessa repetir o juízo da culpa do PSD que teve a vitória eleitoral na mão e não soube ganhar, ou do eleitorado que votou ininteligentemente em quem já revelava as características que tem, nem numa imprensa arregimentada que sempre deu cobertura a tudo isto.
É preciso pensar bem, com cabeça fria.
Que será de fazer quando Sócrates for mesmo constituído arguido num dos vários processo pendentes em tribunais portugueses?
Que será de fazer quando Sócrates for mesmo condenado num tribunal inglês - há um processo em curso - por co-autoria ou cumplicidade em corrupção no caso Freeport? E se esse tribunal inglês emitir mandato de captura europeu - pode fazê-lo - contra Sócrates, primeiro ministro de Portugal?
Não se pode fechar os olhos nem olhar para o lado.
É preciso pensar.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sócrates e Berlusconi

Porque é que Sócrates é pior do que Berlusconi?
Sócrates e Berlusconi têm o mesmo género de problemas com a justiça.
Sócrates e Berlusconi beneficiam ambos de impunidade judicial em virtude de hábeis alterações cirúrgicas introduzidas na legislação pelos seus partidos.
Mas,
Berlusconi é riquíssimo e Sócrates nem por isso.
Berlusconi tem uma oposição fortíssima dos juízes e Sócrates nem por isso.
Berlusconi tem uma oposição fortíssima dos jornalistas e Sócrates nem por isso.
Berlusconi tem uma oposição política fortíssima e Sócrates nem por isso.
Berlusconi gosta de mulheres bonitas e Sócrates nem por isso.

domingo, 8 de novembro de 2009

é o fim do caminho... é a lama, é a lama...

Com tudo o que se está a passar apetece-me dizer que é o fim da picada, que é o fim da macacada, ou que é o fim do caminho...

a face oculta e o Procurador

Segundo o Público, a Procurador-Geral da República tem já há quatro meses, desde Julho, nove certidões de conversas telefónicas entre Vara e Sócrates emergentes do processo Face Oculta.

Isto é grave e começa a configurar um caso de encobrimento.

O Procurador tem de se explicar.

sábado, 7 de novembro de 2009

a face oculta de Sócrates

Foi noticiado pela imprensa que nas escutas a Armando Vara foram interceptadas conversas telefónicas com Sócrates. O seu conteúdo justificou que o Ministério Público mandasse extrair certidões dessas conversas telefónicas, que foram enviadas para o Procurador-Geral da República.
Perguntado, o Procurador disse que está a estudar essas gravações e que oportunamente se pronunciará.
É importante que o Procurador compreenda que os portugueses têm o direito de saber o que consta dessas gravações, porque se trata de possível envolvimento do Primeiro Ministro em práticas que poderão ser de corrupção.
Os cidadãos têm o direito de escrutinar democraticamente os seus governantes.

porque seria ?

Tinha ficado a interrogar-me porque seria que este caso 'face oculta' apareceu sem fugas de informação, sem ocultação de pessoas importantes envolvidas, foi rapidamente investigado, com competência, enfim, como deve ser?

Acho que já sei: foi porque a investigação foi feita pela Directoria de Aveiro da PJ e não pelo DCIAP de Lisboa.

Percebi isso quando vi a Cândida Almeida nervosa a dizer coisas atabalhoadas sobre ele.

Não há candura que justifique!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

uniões homossexuais (2)

Como a questão voltou a suscitar-se e a minha opinião não mudou, volto a dizer o que já disse antes:

No meu tempo de juventude, eram os padres que queriam casar. Agora são os homossexuais.

O casamento é uma instituição muito antiga, que sempre tem sido reservada para uniões heterossexuais ligadas à instituição da família. Tem uma imensa dignidade que lhe vem de ser originariamente um sacramento religioso – um voto – que, mais tarde, no princípio do séc. XX, veio a ser laicisado como um contrato civil. A sua dignidade não lhe vem da recente natureza contratual, mas antes da sua antiquíssima natureza sacramental, votiva e familiar.

Toda a gente sabe que existem uniões homossexuais mais ou menos perdurantes e apoiadas em projectos de vida em comum assente no afecto. Essas uniões têm sido reconhecidas pelo direito como tais, mas não como casamentos. A quem estiver interessado recomendo a consulta da lei inglesa - Civil Partnership Act - de 2004, que está tão bem feita e tem dado tão bons resultados que bem poderia ser traduzida para português e legislada pela AR (é melhor não os deixar pensar nem inventar). Resolve todos os problemas e satisfaz todas as exigências, menos uma: não lhe dá o nome de casamento. Poderia ser usada a designação «união homosexual» ou outra semelhante.

Parece que o importante seria o uso da expressão casamento pelo seu «valor simbólico». Mas tal constituiria uma mistificação e uma falsificação terminológica. É que a dignidade e o valor simbólico do casamento vêm da sua natureza sacramental e da sua ligação à constituição da família, como sua pedra angular, o que de todo falta nas uniões homossexuais.

Os homossexuais são cidadãos e cidadãs como toda a gente e têm direito à correspondente dignidade cívica. O que não têm é direito a pretender ser o que não são. E é mesmo patético que sejam eles próprios a se desdignificarem quando se não conseguem assumir como são, sem precisar de parasitar a dignidade duma instituição que lhes é completamente alheia.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

homens e mulheres: igualdade e diversidade

Entre homens e mulheres há igualdade e diversidade.
Há igualdade nas profissões, nas artes, nas letras, na ciência, na política e recentemente até na guerra.
São profundamente diferentes e complementares na família, no amor, nos afectos.
Quem não perceber isto é porque não percebeu nada.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

símbolo sexual

Não há pior ofensa à mulher que o entusiasmo homossexual dos socialistas.
Para manifestar o meu repúdio e também para fazer a minha provocação, aí vai, do Roberto Carlos, o meu símbolo sexual:

sábado, 31 de outubro de 2009

face oculta

Recomendo a leitura do post do Jorge Assunção - despertar da mente - sobre o tema. Assino por baixo.

Mas acrescento algumas interrogações:
Porque é que o Banco de Portugal só agora se lembrou de 'investigar' Armando Vara, quando já toda a gente o conhecia?
Porque é que Armando Vara só vai ser interrogado no dia 9?
Porque é que este caso só aparece a público depois das eleições?
Porque é que os jornais só revelaram os nomes de alguns dos envolvidos?
Porque é que o BCP se apressou a manifestar a confiança em Armando Vara?
Porque é que o BCP tem esta queda para gente assim?

Não é possível continuar a impunidade. Apesar  do que escreve Jorge Assunção, apesar de não serem 'todos iguais', há uma coisa em que os corruptos têm sido todos iguais: é na impunidade.

Desde Sócrates, a Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro, a Isaltino, a Dias Loureiro, a Oliveira e Costa, àqueles cujos nomes desconheço envolvidos nos submarinos, no portucale, na operação furação, no freeport, nos contentores, naqueles concursos públicos que se sabe, etc., etc., etc., que mais nos irá acontecer. Até já em provas académicas universitárias aparecem coisas destas!

Já não se pode confiar na seriedade dum concurso público, duma adjudicação, duma concessão, até de despachos e decretos-lei. Nós não somos todos iguais, Jorge Assunção; eles é que são. Eles, os xico-espertos, os amigos, os cunhados, os empenhados, os milagrosamente enriquecidos, são todos iguais na impunidade. E ficam a rir-se de nós.