sábado, 23 de janeiro de 2010

seja como Deus quiser

Uma semana inteira entre Viena e Budapest. Uma muito mais, outra bastante menos desenvolvida do que nós. Amanhã aterro em Lisboa. Além de temperaturas negativas e muita neve, ganhei distanciamento e desintoxiquei dos media portugueses. Só estive com gente muito inteligente e muito capaz.
Quase que tenho medo de aterrar no rectângulo estreito. Vou precisar de readaptação à estupidez local.
Seja como Deus quiser...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

o orçamento

Como eu previa, já começou a imposição externa: PS e PSD vão fazer um orçamento a meias.
Eu não desgoto desta imposição.
Sempre é melhor do que o Sócrates da governar.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

morte lenta

Portugal é apontado pela agência internacional Moody’s como um exemplo de uma economia estruturalmente pouco competitiva que enfrenta o risco de sofrer uma “morte lenta”. 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

outra coisa qualquer, por favor

Toda a gente diz que não há alternativa, mas eu não me conformo. Tem de haver. Pior que isto não há.

Eu sei, eu sei, que MFL é uma velha chata que não agrada a ninguém... eu sei, eu sei, que Aguiar Branco é um copinho de leite, que só tem o voto da Foz, mas não o do Porto.

Mas porque diabo de razão é que o PSD há-de ser dirigido sempre por barrosistas/diasloureiristas? Há lá mais gente e com certeza mais capaz.

Por isso vou apoiar Passos Coelho quando for ocasião disso. Conheço o PSD bem, fui fundador, e nunca o vi neste estado. Por este caminho acaba, ou é opado pelo CDS.

É urgente mudar a direcção do PSD, pôr lá o Passos Coelho, e voltar a dar aos Portugueses uma hipótese de votar.

domingo, 10 de janeiro de 2010

inauguração solene

O casamento homossexual vai ser inaugurado solenemente pelo próprio Sócrates que, com pompa e circunstância, vai casar consigo mesmo, felicíssimo com o seu amor próprio que é eterno e indissolúvel.
Leva uma aliança de lata num dedo de cada mão.
A cerimónia terá lugar na loja do cidadão.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

...e agora, José Sócrates?

Já conseguiste ofender a consciência de milhões de portugueses, hostilizar uma religião inteira...

Já desviaste as  atenções dos reais problemas de Portugal e dos portugueses, já criaste um pretexto que talvez te pudesse derrubar do Governo, o que desejavas na esperança de ser reeleito com maioria absoluta; já pagaste o apoio político de uma franja da população e fizeste figura de herói da esquerda para melhor poderes continuar a enriquecer escandalosamente alguns empresários e salafrários do regime.

E agora, José Sócrates, que mais vais inventar? Vais continuar a demolir os valores éticos da melhor parte dos portugueses? Vais liberalizar eutanásia? a pedofilia? o tráfego de órgãos humanos?

Que mais nojeiras vais tu inventar agora, José Sócrates, para continuares onde estás?

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

... uns filhos melhores...

Anda por aí toda a gente a dizer que é preciso deixar aos filhos um mundo melhor.
Não seria também de pensar em deixar ao mundo uns filhos melhores?

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

negociar o orçamento

Toda a gente bem pensante, na política, diz com uma ar de boa consciência que o governo deve negociar seriamente com a oposição a passagem no orçamento.
Também acho.
Também diz que não devem ser evitadas as divisões profundas entre os portugueses.
E também acho.
Então, proponho que o Governo deixe cair a proposta dos casamentos homossexuais e deixe de fazer provocações morais a mais de metade - ou pelo menos a um número importante de portugueses.
Pessoal, politica e moralmente, acho que vale bem a pena deixar cair o orçamento em vez de deixar cair o casamento.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

a ilha

Esta nova invenção para controlo de segurança nos voos para o Estados Unidos vai, com toda a probabilidade, contribuir para reduzir o tráfego aéro com aquele destino. Não digo propriamente o daquelas pessoas que não podem deixar de voar para ali por razões profissionais e que não têm outro remédio, senão sujeitarem-se àquela humilhação. Mas os voos propriamente voluntários vão reduzir, pelo menos de parte das pessoas propriamente civilizadas. Eu, pessoalmente, deixarei de voar para ali e já dei disto notícia, cancelando workshops, conferências e outros eventos académicos e científicos.
Se quiserem, venham cá.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

a nova ortografia

Tenho estado a estudar o novo acordo ortográfico. Cheguei à conclusão de que muda bem pouca coisa, além de acrescentar à lingua três consoantes que já se usavam - K, Y e W - de manter algumas duplas grafias e acentuações com acento agudo ou circunflexo em palavras esdrúxulas (económico-econômico). O que mais incomoda os portugueses é a eliminação de consoantes mudas a que estamos habituados mas que não fazem grande falta (p. ex. sector-setor, acção-ação). Atenção: desaparecem os tremas no Brasil (p. ex. delinqüir-delinquir, tranqüilo-tranquilo).

Porquê, então, tanta animosidade?
Conheço relativamente bem o Brasil e vendo lá perto de 1/3 do que escrevo. Tenho mesmo um neto bi-nacional.
No Brasil há ainda um «complexo do colonizado» que leva alguns brasileiros a imputarem aos portugueses a culpa dos seus defeitos, assim com aqui há ainda um complexo imperial que leva muitos portugueses a considerarem-se os donos da língua. São duas atitudes erradas e, posso dizê-lo, muito minoritárias em ambos os países.
Mas há uma política externa americana persistente em afastar os países da américa do sul em relação aos seus ex-impérios: Portugal-Brasil; Espanha-México, etc. Esta política tem apoiantes em ambos os países, a maior parte inconscientemente. No Brasil, nem toda a população tem origem ou laços portugueses e os pró-americanos quiseram separar as línguas e criar uma «língua nacional». Houve um congresso filológico em que se decidiu - bem - que as diferenças existem também dentro de cada um dos países e que a língua portuguesa é aquela que é falada pelos povos que falam português. Eu estava lá e acompanhei. Achei engraçado o carácter circular da fórmula, que nem por isso, é menos eficiente.

A separação das línguas seria dramática para Portugal, que ficaria com uma «linguinha», falada apenas por 11 milhões, que rapidamente perderia o estatuto de língua de primeira classe para o brasileiro, e acabaria até por deixar de ser língua oficial na UE, no Vaticano, etc. Era a falta de unificação que impedia que o português fosse língua oficial da ONU, embora os brasileiros nunca deixem de a usar (o que os portugueses incompreensivelmente não fazem). Seria mesmo péssimo encontrar nos vários softwares de texto a referência a, pelo menos, oito, línguas portuguesas.

Com o acordo ortográfico a língua portuguesa é só uma, falada por perto de 250 milhões de pessoas (195 milhões são brasileiros), e fica em 7º lugar no mundo. É uma língua de primeira dimensão.
Há outra vantagem, que não é de somenos: permite que os tratados internacionais entre Portugal e Brasil, p. ex., deixem de ser escritos em dois instrumentos.

Pesados os prós e os contras, estou decididamente a favor da unificação da língua.

Posso confessar que gostava mais da versão - essa também unificada - do português que se escrevia no séc. XIX, no tempo dos bons escritores. Mas fomos nós, no tempo da Primeira República, que a estragámos, sem dar cavaco aos brasileiros.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

cultura de corrupção

O Der Spiegel (versão inglesa) publica um texto com muito interesse em que demonstra como a cultura de corrupção arrasta a Grécia para o abismo e chega mesmo a pôr em risco o próprio €uro.
Na Grécia, as oligarquias acham que a UE (leia-se: a Alemanha) irá socorrer e salvar a Grécia do colapso.
Na Alemanha ninguém está disposto a isso: a Grécia que peça socorro ao FMI.

Este quadro tem algo de familiar com o que se passa em Portugal.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

a China e o dinheiro

Na China foi sumariamente condenado e executado um inglês, dizem que mentalmente débil, acusado de transportar 4 quilos de droga numa mala. Defendeu-se dizendo que alguém a pôs lá sem ele se aperceber. O julgamento demorou meia hora. Foi condenado à morte e rapidamente executado.
A pena de morte é uma selvajaria que costuma suscitar protestos em todo o lado, mas neste caso não.
A China é uma ditadura brutal onde não vigoram os mais básicos direitos humanos, políticos, sindicais e sociais, o que costuma suscitar grave desaprovação, mas neste caso não.
É tal o autoritarismo e falta de liberdade, que os casais são proibidos de ter mais que um filho. E ninguém se indigna.
E toda esta complacência porquê?
Porque a China está cheia de dinheiro.

domingo, 27 de dezembro de 2009

câmara corporativa

Existe um blog, chamado Câmara Corporativa, caracterizado pelo mais boçal socretinismo. Chega mesmo a ser repugnante e lembra o antigo SNI do tempo do Salazar.
A escolha do nome do blog é um acto falhado. Antes do 25 de Abril, eles gostariam de ter sido da Câmara Corporativa. Agora, gostariam que o PS pudesse governar como nessa altura a União Nacional, num regime de poder total do Primeiro Ministro (então Presidente do Conselho), sem oposição do Parlamento (então Assembleia Nacional) que se limitaria a cooperar, e com um Presidente da República que não interferisse e se limitasse a inaugurações.
Eles gostariam e ter um Salazócrates, os Socretinos.

golpes de estado

Nos Estados Unidos nunca há golpes de estado... porque lá não há consulados dos Estados Unidos.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

os novos pobres e os novos ricos

O Natal é um dia apropriado para pensar nos outros.
É nesta perspectiva que me ocorre pensar nos novos pobres e nos novos ricos.
Os últimos anos produziram um aumento do fosso que separa os pobres e os ricos.
Não que os pobres estejam muito mais pobres, mas há mais pobres, aumentou o seu número. Muitos foram precipitados da classe média (e até de mais alto) para a pobreza.
E há mais ricos, sobretudo ricos muito mais ricos. Aos velhos ricos acederam muitos outros, enriquecidos de modos variados, nem sempre confessáveis. E muitos velhos ricos tornaram-se novos ricos, perderam as qualidades que já tinham adquirido com o tempo e voltaram à ganância e à falta de pudor que é própria dos novos ricos.

A sabedoria dos séculos ensina que não é bom nem prudente ofender a pobreza. Os velhos ricos sabiam-no. Sabiam-no uns pela inteligência e outros pela memória das muitas revoltas, frondas, revoluções e confrontações sociais causadas pela frustração dos pobres e pela exibição de riqueza dos ricos, enfim, pela falta de respeito dos ricos pelos pobres. Foi sempre cíclico na História.

Hoje, no Dia de Natal, eu penso nos pobres e nos ricos, nos novos pobres e nos novos ricos, em como os novos ricos ofendem os novos pobres com as suas exibições de riqueza. Penso em como os novos ricos não pensam nisto. Não sabem história (isso dá dinheiro?), não pensam nos pobres (isso dá incómodo). Não lhes ocorre a mais básica das prudências, a de evitar o confronto de muita riqueza com muita pobreza e o efeito social explosivo que daí decorre.

E ocorre-me recordar Mateus (25), sobre o Juízo Final:
Quando o Filho do Homem vier na Sua glória, acompanhado por todos os Seus anjos, sentar-Se-á então no seu trono de glória. Perante ele reunir-se-ão todas as nações e Ele apartará as pessoas umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. À Sua direita, porá as ovelhas, e à Sua esquerda, o cabritos. O Rei dirá então aos da Sua direita:

Vinde, benditos de meu Pai. Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome, e destes-Me de comer; porque tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e acolhestes-Me; estava nu, e deste-Me de vestir; adoeci e visitaste-Me; estive na prisão e fostes ter Comigo.

Então os justos perguntar-Lhe-ão: Senhor, quando foi que Te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando te vimos peregrino e Te recolhemos, ou nu e Te vestimos? E quando Te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar-Te?
E o Rei dir-lhes-á em resposta: Em verdade vos digo: Sempre sempre que fizestes isto a um destes Meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes.

Em seguida dirá aos da sua esquerda: Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno que está preparado para o Diabo e seus anjos. Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; era peregrino e não Me recolhestes; estava nu e não Me vestistes; doente e na prisão, e não fostes visitar-Me.

Por sua vez eles perguntarão: Senhor, quando foi que Te vimos com fome, ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não Te socorremos?

Responderá então: Em verdade vos digo: Sempre que deixastes de fazer isto a um destes mais pequeninos, foi a Mim que o deixastes de fazer.
Esta é a superioridade moral do cristianismo. Nenhum cristão tem a obrigação de resolver todas as injustiças do mundo, mas cada um tem a obrigação de fazer o que estiver ao seu alcance. Ajudar os outros, principalmente os que estiverem em maior dificuldade, e não acumular riquezas de que não necessita.
O novo-riquismo que ofende e provoca a pobreza é insensato, mas é também uma imoralidade. Mais grave do que isso, é um pecado.
Ninguém pode amar a Deus e ao bezerro de ouro.