sexta-feira, 11 de maio de 2012

1946

Commonsense nasceu em 1946. A Europa ainda fumegava. Havia dôr, sofrimento, luto, miséria, destruição por todo o lado. Foi preciso reconstruir as pessoas e as coisas. Isso só se fez à custa de muito perdão, de muita abdicação, de muita solidariedade. Vivia-se com pouco e não se exigia nada. Partilhava-se o que havia.
Que diferente é tudo agora. A classe média mais rica do mundo indigna-se porque se acha menos rica do que devia. Não dá uma uva, quer tudo.
Os mais ricos furibundam-se com o que têm de partilhar com os mais pobres. E, no entanto, quem dera a tanta gente no mundo ter a pobreza dos pobres da Europa.
O pior ainda foi terem abdicado da sua condição de pessoas livres e pensantes para se transformarem em consumidores insaciáveis. Consomem conteúdos nos jornais de fim-de-semana, no pronto-a-vestir das ideias feitas. E repetem acriticamente o que colheram nos enlatados mentais concordando uns com os outros. Não pensam com a cabeça, ruminam com os estômagos.
São infelizes... e é bem feito!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

o iva europeu e os eurobonds

Já quase toda a gente compreendeu que o problema financeiro europeu só se resolve com uma maior integração económico-financeira na Europa comunitária.
Commonsense concorda com a proposta constituição de um ministério europeu das finanças, mais ainda, da economia e finanças, que receba a receita de IVA de toda a eurozona (primeiro só da eurozona, depois de toda a União) e a redistribua em projetos de desenvolvimento pelas zonas onde for mais necessário, de modo a realizar a integração e harmonização económica na Europa e a eliminação das diferenças estruturais de desenvolvimento. Esse ministério teria também a competência exclusiva para emitir os Eurobonds.
Seria um passo de gigante na construção da Europa.
Muita gente estranhará, mas é mesmo imprescindível.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Chelsea tractor - o tractor da Lapa

Os ingleses chamam «chelsea tractor» àqueles jeeps de luxo - 4x4 - que nós vemos por aí a serem exibidos como manifestação exterior de riqueza.
Só o delicioso humor inglês era capaz de inventar esta designação. Chelsea é o bairro mais chique - ou mais novo-rico (se se preferir) - de Londres. Daí graça. Chesea tractor, é uma delícia.
Traduzido para português: o tractor da Lapa.

domingo, 29 de abril de 2012

exibicionismo emocional

A emoção é o contrário da razão.
Mas a emoção é inevitável em pessoas que não sejam morbidamente frias. Toda a gente tem emoções e perturbações emocionais.
É conveniente dominar as emoções. Nem sempre é fácil e nem sempre é possível. Mas convêm fazê-lo, tentá-lo, para evitar comportamentos ininteligentes, desrazoáveis e até nocivos - ao próprio e aos outros - induzidos pela emoção.
É aceitável e desculpável a emoção que se não consegue conter nem dominar.
Mas é deplorável a exibição da própria emoção na comunicação social de massa.
É exibicionismo emocional.

sábado, 28 de abril de 2012

eurobonds revisited

Quando foi lançado o €uro, havia Eurobonds na Europa.
O mecanismo da moeda única tinha esse efeito. Nenhum especulador se atrevia a atacar o €uro, tal a sua potência finaceira. Com mais de 500 milhões de habitantes, a Europa tinha (e ainda tem) a maior economia do mundo. A dívida europeia estava mutualizada. Era emitida em €uros e o €uro global respondia por ela.
Depois, houve um crise cambial na Hungria e o BCE não apoiou. A Hungria não estava no €uro, mas o mercado reparou que a solidariedade europeia tinha falhado. Os europeus ricos tinham abandonado os europeus pobres ao seu destino. O egoismo dos Estados Membros tinha prevalecido sobre a solidariedade da União. Não foi um bom sinal.
Em seguida veio da Grécia. Aqui o problema foi mais sério porque a Grécia estava no €uro e o desequilíbrio era estrutural. Em vez da solidariedade da União, viu-se outra vez o egoismo dos Estados Membros. Deixaram a Grécia cair, abandonaram-na, humilharam-na e aviltaram-na.
Com isto, a dívida europeia, pela primeira vez, foi desmutualizada.
O €uro desuniu-se e passou a haver taxas diferenciadas para as dívidas em €uros nacionais. Instituiu-se até uma espécie de novo índice assente no spread entre os yields das dívidas em €uros alemães e em outros €uros.
O €uros partiu-se em dois: o €uro comercial e de consumo, que continuou a ser uma moeda única e o €uro financeiro dos mercados de dívida, que se pulverizou.
Os governos locais não deram por isso, mas os mercados sim. Com as visões curtas dos governantes locais, que tinham deixado de pensar a Europa e só se procupavam com a sua própria re-eleição, os agentes do mercado, ao calcularem a cobrabilidade dos investimentos que projetavam, foram obrigados a tomar em linha de conta a que cada €uro nacional estava sozinho e que não iria ser suportado pelos outros €uros.
A questão, hoje, não é bem de mutualizar o €uro: é de o re-mutualizar.
É de voltar a suportar o €uro como uma moeda financeriamente única. Isto só se consegue quanto todos os Estados Membros responderam pelo €uro seja quem for que tiver emitido a dívida. É de fazer compreender o mercado que cada €uro está suportado por todos os €uros.
Quando isso acontecer e os investidores acreditarem que todos respondem por cada um, quando puderem investir em €uros verdadeiramente únicos, deixará de haver risco, os fundos serão abundantes e as taxas baixas.
Tal só sucederá quando o Euro voltar a ser uma divisa financeiramente única. Depois da desmutualização que ocorreu com o abandono da Hungria e da Grécia (seguida pela Irlanda e Portugal) o euro já só remutualizará com €urobonds.
A Europa está dividida quanto à emissão e €urobonds. A Alemanha quer que, primeiro, seja saneadas as finanças (não as economias, note-se) do mais pobres; a França entende que, sem a prévia mutualizaçao, as economias dos mais pobres continuarão a enfraquecer e não conseguirão sanear as suas finanças. Como sempre, há opiniões intermédias: o Economist defende, agora, €urobonds limitados aos países ricos, o que é a pior solução.
O debate regressou, puro e duro.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

(in)seguro

 É sintoma de insegurança. Enfrentar tudo com grande agressividade. Tanto as pessoas como os factos.   Desde a nomeação de juízes para o tribunal constitucional, até ao tratado intergovernamental. Tudo é pretexto para conflituar.
 Pode servir para uso interno do PS, para mostrar que é homem, que não anda a reboque.
 Mas não serve para o País.
 O País está preocupado e assustado.
 Quer paz e tranquilidade.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

cinzento

Dia cinzento e chuvoso. Triste.
Os estados de espírito são coisas muito pessoais.
Não vem, nem da economia, nem da política.
Os fortes também fraquejam.

cada um o seu 25 de abril

Ninguém é dono do 25 de Abril. Cada um o viveu e o entende da sua maneira. Para cada um com o seu significado. O 25 de Abril do PCP não é o mesmo do BE, nem o mesmo do PS, nem o mesmo do PSD, nem o mesmo do CDS. Qualquer pessoa entende isto.
Cada um o celebra como entende. Uns protestam, outros recordam, outros descansam, outros não ligam.
E se cada um o pode fazer como quer e pode dizer dele o que entende, é porque o 25 de Abril resultou.
Hoje há liberdade em Portugal.
Mas há um situação económica deplorável criada por governantes e banqueiros que deviam ser responsabilizados.
Não há liberdade sem responsabilidade. A irresponsabilidade daqueles que causaram o descalabro económico é inaceitável. E há ainda outras casos de inconcebível irresponsabilidade criminal que toda a gantes sabe.
Na iresponsabilidade criminal, o 25 de Abril está a falhar.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

sarkollande

Foi prematura e até ingénua a celebração que Seguro fez da vitória socialista em França. Com os resultados que houve, tudo pode acontecer na segunda volta.
Nenhum do candidatos é ótimo.
Commonsense votaria Strauss-Kahn.

domingo, 22 de abril de 2012

o mimo

Quando eram pequeninos, faziam uma birra e os papás cediam. Habituaram-se. Continuaram na adolescência. Chegaram a adultos. Não conseguem o que queriam. Fazem birra. Não resulta. Vão para a rua e indignam-se. Vão continuar a não conseguir.

outra vez, não, por favor...

Commonsense acredita que nada voltará a ser igual no fim desta crise. Estranharia muito que tudo voltasse a reconstituir-se mais ou menos igual a tudo o que causou esta crise... até que voltasse outra crise... mais ou menos igual a esta.
 Outra vez, não, por favor...

sábado, 21 de abril de 2012

the economist

Commonsense assina o Economist há anos. Com desconforto crescente. Reconhece que é a melhor revista. Mas desconcerta-o o modo como trata dos assuntos europeus.
No Economist, as prosas não são assinadas (a não ser rarissimamente, quando é oferecida a uma personalidade o privilégio de publicar um artigo). Os jornalistas não têm sujectividade. Toda a autoria e toda a responsabilidade é do jornal.
Há muito tempo (mais de um ano com certeza, ou mais de dois, talvez), a coluna Charlemagne, que é dedidada à União Europeia, apareceu assinada pelo seu cessante escritor. Foi uma homenagem de despedida. Em jeito de testamento, o autor disse que ia deixar de escrever ali, mas queria deixar expresso que, não obstante as discordâncias, achava que as pessoas defensoras do projeto europeu eram invariavelmente as mais inteligentes, as mais cultas, a mais capazes e até as mais estimáveis.
Desde então, Charlemagne passou a ser militantemente antieuropeu, mesmo panfletáriamente. Tudo é mau e nada é bom na UE. Agora incita mesmo à sua dissolução (mantendo, claro, o mercado único, como sucedâneo da EFTA).
Commonsense há muito tinha passado a dar desconto àquele anti-europeismo, anglo-americano, conservative-republican. Assumiu que, em questões europeias, o Economist não era para levar a sério, nem eram mesmo para ler. Mas o resto era muito bom.
Com o andar do tempo, foi-se inquietando mais. Sempre que o assunto era por si bem conhecido, o Economist não acertava.
Instalou-se a dívida: se nos assunto que Commonsense conhece bem, o Economist erra, será que só acerta nos outros? Ou será que também falha em tudo o que lá se lê, so se tornando percetíveis as falhas no aosunto que conhece?
Será mesmo de renovar a assinatura quando chegar ao fim?
O problema é que, nas revistas congéneres, não sabe de outra com qualidade que não seja desmasiadamente local.
Commonsense começou à procura duma alternativa.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

o soba

Commonsense pasmou. Soares foi apanhado a 200 km/m, num carro do Estado, com motorista do Estado, e disse que não padaga a multa, o motorista que ficasse sem carta.
Portou-se como um soba.
Por favor, tirem-lhe o carro, o motorista e o subsídio.
Não tem caráter.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

emergência económica

Se fosse o Primeiro Ministro, logo no dia seguinte a tomar posse, faria aprovar no Parlamento uma Lei de Emergência Económica.
No art. 1º daria poderes ao governo para reequilibrar unilateralmente as PPPs e outras concessões.
No segundo, para suspender feriados e proibir pontes.
No terceiro, para criminalizar o enriquecimento inexplicado e proceder ao seu confisco a favor de instituições de auxílio aos pobres.
No quarto, para unificar os regimes laborais público e privado e modificar convenções coletivas de trabalho.
No quinto para taxar com 100% de IRC dos salários (incluindo prémios e bónus) de dirigentes de instituições financeiras e empresas públicas no que excedessem o vencimento base dum ministro.
No último permitiria todas as outras práticas e atos que viessem a ser necessários para combater a pobreza dos portugueses.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

os mais pobres

A União Europeia vai no mau caminho se continuar a pensar que deve castigar os pobres pelo pecado de serem pobres e que os deve castigar com ainda maior pobreza.
O modo de tratar a crise dos mercados do €uro tem de passar a ser mais políti...co e menos liberal/económico.
São as próprias fundações da União Europeia que estão a ficar em crise.
É preciso pensar mais e melhor em Bruxelas, mudar a composição da Comissão e dar mais poder ao Parlamento Europeu do que ao Conselho.
A União europeia tem de avançar... não pode paralizar em receitas neo-liberais que não resultam... pior, que resultam mal.
O ideário neo-liberal falhou.
É interessante ler a supresa e consternação causadas na Alemanha pela reação dos Gregos, até do Presidente da Grécia. O alemão comum estava sinceramente convencido que estava a fazer bem aos Gregos; não percebeu ainda que a Grécia está a ser castigada por não ser economicamente tão eficiente como os mais ricos.
Na União Europeia de Barroso, Merkel e Sarkozy, é pecado ser pobre!
É o pior hiper-liberalismo jamais visto à face da terra.

http://www.spiegel.de/international/0,1518,815973,00.html