Os Portugueses gostam de dizer não. É
uma sublimação da frustração.
E daí resulta em boa parte a pobreza
geral.
Quando um inventor pede para registar
um invento, a resposta é não porque é novo.
Quando o dono da casa quer abater uma
árvore que está a cair, a resposta é não porque é velha (na
cultura inculta, velho é igual a cultural).
Quando se precisa de construir uma
barragem, a resposta é não porque tem impacto ambiental.
Quando o melhor arquiteto naval de
veleiros do mundo, que é português, quis mudar-se de Irlanda para
Portugal, a resposta foi não, porque os seus barcos não tinham
condições de segurança.
Quando alguém que adquiriu uma casa
sobre a falésia da Costa Vicentina e quis abrir um janela para o
lado do mar, teve de a abrir primeiro e pedir depois licença para a
fechar... e a resposta foi não.
O portugueses dizem que não por razões
subconscientes profundas. Porque levaram um nega da namorada, porque
o banco recusou o financiamento, porque o patrão não deu o aumento,
porque a Troyka tirou a pensão, porque o carro do vizinho é melhor
que o dele...