terça-feira, 8 de março de 2011

posse

Amanhã vou à cerimónia de posse do Presidente da República.
Não sei o que ele vai dizer e não tenho sequer curiosidade em saber. Vai fazer um discurso de circunstância que vai servir para alimentar as jornalices do costume. Penso que será irrelevante.
Os portugueses vão ter de mudar de vida e também eu.
Mas é tão difícil mudar de vida e renunciar...

segunda-feira, 7 de março de 2011

à rasca... a cena de vitimização

 Já há muito que estava à espera duma coisa assim. Perto de um terço dos inscritos na Faculdade (não lhes chamo alunos e muito menos estudantes, porque não são) não estudam absolutamente nada, não vão às aulas e não se interessam por aprender o que quer que seja. Naturalmente vão andando de chumbo em chumbo... e isto quando se apresentam a provas. No mais, são úteis para o financiamento da Faculdade cuja verba é determinada pelo número de inscritos. Por ironia, chamamos-lhes os 'mecenas'.
 São meninos mimados, estragados pelos pais que acabam sempre por lhes fazer a vontade depois de terem aturado um cena de vitimização.
 Agora que já não adianta fazerem cenas de vitimização em frente dos pais, vêem fazê-las para o meio da rua... a ver se o País lhes faz a vontade.

a guerra da gasolina e do gasóleo

Os preços fixados pelas gasolineiras para a venda ao público da gasolina e do gasóleo são completamente injustificados. Perante o clamor geral que suscitaram, as gasolineiras aumentaram-nos outra vez.
É um comportamente arrogante, prepotente, próprio e quem se sente com pleno domínio do mercado, para não dizer também das entidades a quem compete regulá-lo.
A passividade da Autoridade para a Concorrência e da DECO fazem-me duvidar da adequação das suas denominações: autoridade ou fraqueza? defesa do consumidor? Que vergonha, como pode isto acontecer?
 Malhas que o lobying tece...
 A atitude das gasolineiras corresponde ao desencadear duma guerra declarada ao consumidor: ele que se defenda, que a petroleiras são ricas, influentes e poderosas.
Mas como haverão os consumidores de se defender? A minha proposta é a seguinte:
Boicotar os postos da GALP. A GALP é a maior responsável porque tem a maior fatia o mercado; portanto a sua escolha é eticamente acertada. Por outro lado, é na GALP que está concentrado o fundamental da capacidade de armazenamento e a totalidade da refinação. Uma quebra acentuada nas suas vendas criar-lhe-á uma situação muito delicada de excesso de stocks, da qual só se pode defender baixando os preços para escoar rapidamente o produto refinado; portanto a escolha é tecnicamente acertada.
Eu já comecei. BOICOTE À GALP.

domingo, 6 de março de 2011

why God never received tenure at any university


  1. He had only one major publication.
  2. It was in Hebrew.
  3. It had no references.
  4. It wasn’t published in a reference journal.
  5. Some even doubt he wrote it himself
  6. It may be true that he created the world, but what has he done since then?
  7. His cooperative efforts have been quite limited.
  8. The scientific community has had a hard time replicating his results.
  9. He never applied to the Ethics Board for permission to use human subjects.
  10. When one experiment went awry he tried to cover it up by drowning the subjects.
  11. When subjects didn’t behave as predicted, he deleted them from the sample.
  12. He rarely came to class, just told the students to read the Book.
  13. Some say he had his son teach the class.
  14. He expelled his first two students for learning.
  15. Although there were only ten requirements, most students failed his tests.

sexta-feira, 4 de março de 2011

o PSD tem que começar a estar preparado

O PSD não quer derrubar o Governo. Já o demonstrou bem em várias ocasiões em que teve a oportunidade de o deixar cair, ou de o fazer cair, e assumir a governação. É uma atitude responsável. Nesta época de crise financeira, o que menos convém a Portugal é mesmo um crise política.
Todavia, o Governo está a entrar em deliquescência, com um primeiro ministro que inventa uma verdade para cada coisa, para cada dia e para cada intrelocutor e o pior de tudo é que acaba por acreditar em todas elas ao mesmo tempo.
Não é difícil adivinhar que o Governo vai acabar por cair. Depois da posse do Presidente, não constitui segredo para ninguém que a UE vai obrigar o Governo Português e pedir a intervenção do Fundo Europeu de Estabilização e que vai tê-la juntamente com o FMI. Aí dificilmente Sócrates se aguentará no poder por muito tempo.
O PSD tem, por isso, que estar preparado. Embora não esteja a puxar por ele, o poder vai-lhe cair no colo mais cedo ou mais tarde. E quando isso acontecer vai ter de estar preparado...

quarta-feira, 2 de março de 2011

e os banqueiros também...

A culpa da bancarrota portuguesa não é só do governo, é também dos bancos, que andaram a conceder crédito em quantidade excessiva e a quem não podia pagar. E concederam-no também aos amigos.
Basta ver quanto é que a CGD emprestou ao Berardo e que nunca mais vai recuperar. E ao Fino, e à T. Duarte. E fizeram-no com fundos que foram obter emprestados no estrangeiro e que, agora, não conseguem pagar.
Devia ser feita uma sindicância global ao comportamento dos banqueiros e às suas consequências na bancarrota portuguesa. E, já agora, também aos ganhos patromoniais que obtiveram durante esse tempo.
Não foram só os políticos e os governantes... foram os banqueiros também.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

situação desesperada... mas não grave.

Desesperada - é a situação das finanças portuguesas.
Mas não é grave - porque estamos no Euro
Desesperada mas grave - seria esta situação se estivessemos no escudo.
Teríamos de fazer uma união económica e monetária ... com Cabo Verde.

o futuro segundo Epicuro

Nunca nos devemos esquecer que o futuro nem é totalmente nosso, nem totalmente não-nosso, para não sermos obrigados a esperá-lo como se estivesse por vir com toda a certeza, nem nos desesperarmos como se não estivesse por vir jamais (Epicuro, Carta sobre a felicidade, a Meneceu).

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

fim de festa

Aproxima-se a passos largos o bail-out de Portugal, quer dizer, a declaração de bancarrota com intervenção europeia.
É o fim dum ciclo de irresponsabilidade que teve início no fim do último governo de Cavaco, quando Guterres dizia que não seria o 'bom aluno da Europa' e Sampaio que 'há mais vida para além do défice'.
Foi daí em diante que se professou a irresponsabilidade financeira e o desperdício como se fosse uma fé religiosa e se gastou, gastou, gastou, como se nunca se tivesse que pagar. Quando já não havia cá, recorreu-se ao crédito externo sem critério e sem limite, tanto o Governo como a Banca.
É este ciclo que está a terminar.
Commonsense espera que termine mesmo e que termine de vez. E que nunca mais os portugueses se deixem enganar com as promessas de sobreconsumo fácil à custa de ficar a dever.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

CP Carga

O Ministro das Obras Públicas demitiu a administração da CP Carga. As pessoas acharam bem.
Mas não se compreende porque é que existe mais do que uma CP: a CP propriemente dita e a CP Carga, a não ser para duplicar o número de lugares e de despesa. Durante décadas houve só uma CP: porquê duas?
Commonsense não aplaude o Ministro e critica-o por não ter simplesmente extinto a CP Carga, (re)incorporando-a na CP.

a recessão, o bom senso e o bom gosto

O Governador do Banco de Portugal numa entrevista muito difundida disse que Portugal está em recessão. Ricardo Salgado veio a público criticar o Governador dizendo que ele não deveria ter dito isso. Salgado enganou-se e pensou que ainda tinha Constâncio no Banco de Portugal.
Mas o que constitui notícia, aqui, não é a recessão, que já toda a gente sabia, é a atitude de Salgado a pretender puxar publicamente as orelhas ao Governador do Banco Central. Revela muita falta de bom senso e de bom gosto.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

é sempre difícil

É sempre difícil saber até onde devemos interferir nos outros e no resto para endireitar o mundo. O mundo será sempre torto, mais ou menos torno, mas de alguma maneira torto.
É sempre difícil saber até onde devemos interferir na vida dos nossos amigos, para lhes endireitar a vida, porque, sem querermos, podemos estar a entortá-la mais.
É sempre difícil saber como devemos agir bem e não mal.
Foi essa a mais terrível maldição com que Deus castigou Adão e Eva, e a sua descendência, quando os expulsou do Paraíso: escolher livremente entre o bem e o mal.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

agarrem-se bem

Apesar das frases ocas do Governo e da publicidade que lhes é dada pela comunicação social afecta ao regime, a verdade é que as taxas vigentes no mercado para a dívida portuguesa são incomportáveis e continuma incomportáveis. Há indícios de que continuarão assim.
O BCE tem mentido Portugal a flutuar - embora com a borda debaixo de água - à custa de lhe comprar a dívida que emite. Mas se o BCE parar de o fazer, Portugal despenhar-se-á na mais calamitosa das falências.
Agarrem-se bem, apertem os cintos e preparem-se para o desastre.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

a verdade e a incompreensão

O pior problema de verdade é suscitar a incompreensão. A alternativa é dizer a mentira conveniente; é mais fácil e mais confortável. Suscita menos incompreensão.
Mas dizer averdade é uma imposição do respeito que se tem pela pessoa com quem se fala. A quem se não respeita, pode dizer-se qualquer coisa.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

o taxista do Cairo

Vi uma entrevista na CNN dum taxista do Cairo que estava eufórico, certo de que tudo de bom viria agora a acontecer.
Só que o que o taxista do Cairo verdadeiramente deseja é ser taxista em Berlim.
Quer isto dizer que os egípcios que andam tão contentes estão a sofrer do mesmo síndrome que nós em 74. Pensámos que a felicidade e a prosperidade, leia-se, o padrão de consumo dos alemães (ou o que nós pensávemos ser o nível de vida dos países europeus) estava ali ao virar da esquina. Mas não estava.
E no Cairo também não vai estar. A próxima coisa que lhes vai acontecer é uma baixa na economia induzida por uma quebra nas receitas do turismo e alguma desorganização. Depois, as dores de parto da democracia. Se não morrer no parto, vai ainda demorar um geração inteira para crescer.
Mas pode ainda acontecer que os militares, depois de 18 dias de tirocínio a ganhar a confiança do povo, continuem no poder e designem outro Faraó...