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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

o Tratado de Lisboa


Entrou em vigor, hoje, o Tratado de Lisboa. Já não era sem tempo.
Foi pena que se tivesse perdido tantos anos e se acabasse com uma versão reduzida do que eu gostaria que tivesse sido feito. É verdade, é verdade, que muita gente não se habituou ainda à ideia e continua a sentir-se mais cosy no seu paísinho pequeno, à beira-mar plantado, com manjerico à porta e janelas com tabuínhas. Mas sem um mínimo de dimensão e de massa crítica, nenhum país europeu conseguiria manter-se e manter o estatuto a que se habituou, quer no aspecto económico, quer no diplomático, quer ainda no militar. Primeiro viria a irrelevância, depois o esgotamento económico, e finalmente a dominação.
Estou contente. Foi reforçada a unidade, a democraticidade e a eficiência.
A Europa é uma cultura riquíssima, com muitas cambiantes e especificidades. E não é necessário perder o que é próprio de cada povo europeu. Há muito mais de comum do que de incomum. A Europa é a terra mais civilizada do mundo e é a civilização mais rica do mundo. É também a maior economia do mundo.
Eu sou um europeu.

domingo, 4 de outubro de 2009

o referendo irlandês

O Tratado de Lisboa foi referendado por 67,1% dos irlandeses, mais de dois terços. Agora faltam apenas a Polónia e a República Checa. Na Polónia, o legislativo já votou, mas o Presidente (eurocéptico, pró-americano) recusou-se a promulgar até que os irlandeses referendassem; agora diz que está à espera dos resultados oficiais, mas vai assinar no princípio da semana. Na República Checa o Tratado de Lisboa foi também aprovado pelas duas câmaras do Parlamento, mas houve dez senadores que pediram a pronúncia do Tribunal Constitucional, e o Presidente (eurocéptico, pró-americano) aproveitou para dizer que não pode promulgar enquanto o tribunal se não pronunciar; mas como o Presidente depende da confiança política das duas câmaras, não poderá manter esta atitude por muito mais tempo.
Agora, a ala mais direitista (leia-se: pró-americana) do Partido Conservador quer que, apesar de já ter sido ratificado pelo Reino Unido, o Tratado seja submetido a referendo mesmo que já tenha entrado em vigor quando (segundo prevêem) vierem a ganha as próximas eleições; o líder tinha dito que só o submeteria a referendo se ainda não tivesse entrado em vigor (leia-se: ainda não tivessem assinado os Presidentes polaco e checo). Na sequência desta atitude, a desvantagem dos trabalhistas baixou 5%.
Não obstante todas estas tentativas (mais ou menos desesperadas) de travar o rumo natural da História, é de esperar que cedo venha a entrar em vigor o Tratado de Lisboa.
A União Europeia ganhará eficácia na acção, o Parlamento Europeu ganhará maiores poderes e passará a ser melhor fiscalizado pelos Parlamentos dos Estados Membros.
A Europa, com os seus mais de 500 milhões da habitantes e a maior economia do mundo, tornar-se-á cada vez mais relevante. Cessará a relativa fraqueza consequente da sua fragmentação.