sábado, 1 de agosto de 2009

uniões homosexuais

No meu tempo de juventude, eram os padres que queriam casar. Agora são os homosexuais.

Não me considero homófobo. Tal significaria ter medo dos homosexuais, e eu não tenho. Mas não gosto, nem uso.
Também não aceito a designação gay, porque significa alegre e eles não o são particularmente; além de haver imensa gente alegre que é heterosexual.
Já quanto à expressão lésbicas, nada tenho a opôr. Atrever-me-ia até a propor que fosse usada nos dois géneros: lésbicos e lésbicas. Mas não faço questão.

O casamento é uma instituição antiga, que sempre tem sido reservada para uniões heterosexuais ligadas à instituição da família. Tem uma imensa dignidade que lhe vem de ser originariamente um sacramento religioso – um voto – que, mais tarde, no princípio do sec. XX, veio a ser laicisado como um contrato civil. A sua dignidade não lhe vem da recente natureza contratual, mas antes da sua antiquíssima natureza sacramental, votiva e familiar.

Toda a gente sabe que existem uniões homosexuais mais ou menos perdurantes e apoiadas em projectos de vida em comum assente no afecto. Essas uniões têm sido reconhecidas pelo direito como tais, mas não como casamentos. A quem estiver interessado recomendo a consulta da lei inglesa Civil Partnership Act de 2004, que está tão bem feita e tem dado tão bons resultados que bem poderia ser traduzida para português e legislada pela AR(é melhor não os deixar pensar nem inventar). Resolve todos os problemas e satisfaz todas as exigências, menos uma: não lhe dá o nome de casamento. Poderia ser usada a designação «união homosexual» ou outra semelhante.

Segundo um «parecer» que por aí anda, escrito por um ex-assistente de uma Faculdade de Direito, que não se doutorou, o importante seria o uso da expressão casamento pelo seu «valor simbólico». Mas tal constituiria uma mistificação e uma falsificação terminológica.

É que a dignidade e o valor simbólico do casamento vêm da sua natureza sacramental e da sua ligação à constituição da família, como sua pedra angular, o que de todo falta nas uniões homosexuais.

Os homosexuais são cidadãos e cidadãs como toda a gente e têm direito à correspondente dignidade cívica. O que não têm é direito a pretender ser o que não são. E é mesmo patético que sejam eles próprios a se desdignificarem quando se não conseguem assumir como são, sem precisar de parasitar a dignidade duma instituição que lhes é completamente alheia.

6 comentários:

  1. Até parece que estou de férias, mas não...

    E mais uma vez - o que me transcende mas é a pura verdade - escreveste o que eu queria ter dito, porque é exactamente o que penso sobre o assunto... que entronca sempre na designação "casamento".
    Como li ou ouvi não sei onde... uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa...!!!
    E entre "casamento" e "união homosexual" vai
    um abismo.
    E não sou homofóbica... tenho até alguns muitos amigos homosexuais.

    Além de que não me parece a mim, uma ignorante, que este seja um assunto tão importante para o País, como por aí se apregoa.
    Mas isto sou eu a pensar...

    Um abraço

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  2. Também acho, Meg, que há por aí coisas muito mais urgentes e tratar, tais como as dificuldades económicas crescentes dos portugueses, o desemprego, o crime e a insegurança, etc.
    Mas, já agora, aproveitei para dar a minha opinião. Ainda bem que concordas. Eu respeito muito as tuas opiniões. Só não consigo ter a tua queda, ou sensibilidade, para a poesia.

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  3. Concordo em absoluto com o post, mas não gosto do termo “lésbicas” para designar homossexuais femininas. E muito menos “lésbicos”, apesar da ironia utilizada.
    Lesbos é uma ilha grega conhecida desde a Antiguidade. Aí viveu Safo – a quem Platão chamou “a 10ª Musa” – no século VI-VII a.C. Ora Safo, segundo o que se sabe, foi casada (com um homem, claro) e até teve uma filha: Cleis.
    Mitilene, capital de Lesbos, era um importante centro cultural. Safo pertencia à aristocracia, que defendia a democracia em oposição ao ditador Pitaco. Além da poesia, Safo dedicou-se à política, tendo sido várias vezes perseguida e exilada. Fundou uma escola para educação de raparigas, e é aí que começa a lenda: ter-se-á apaixonado por uma aluna, que os pais se apressaram em retirar a escola.
    A poesia de Safo tem uma forte componente erótica, o que, aliado à história da aluna, fez dela uma homossexual (seria?). E a fama estendeu-se a todas as mulheres da ilha de Lesbos, apesar do termo “lésbica” ou “lesbianismo” só ter entrado na língua comum por volta do séc. XIX e, claro, na prudente forma latina “lesbicus”.
    Penso que, por respeito às mulheres de Lesbos, cuja capital continua a se Mitilene, a designação de “lésbica” para as mulheres homossexuais devia ser pelo menos evitada.
    Ou usamos a terminologia científica: homossexuais masculinos e femininos, ou usamos o velho calão português: “maricas” e “fufas”.
    Commonsense diz que não é homofóbico (outro termo recente). Mas eu começo a sê-lo, e cada vez mais. Estou farta de exigências e exibicionismo. Quererem casar e adoptar filhos é a gota de água.
    E sim, é preciso ter algum medo deles: no que respeita à tendência que frequentemente têm, de sentir uma “ternura” especial por crianças. Só espero, sem ter a certeza, que a nossa “sui generis” Assembleia da República, não vá na cantiga dele(a)s. Apesar de ter lá alguns espécimes bem conhecidos do género.

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  5. Meu amigo...

    Que pena que ainda haja gente que não "saiu do armário"!
    Que pena estarem fechados(as)em blogs fechados!
    Porque da discussão se faz luz, há quem não pense assim e prefira o insulto gratuíto.
    Que pena!!!

    Um abraço

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  6. Eu continuo a achar que um sistema como o inglês ou o francês resolvia tudo sem dramas e sem traumas. Sobretudo que há outras coisas muito mais graves, hoje, para resolver na sociedade portuguesa. E receio bem que, muito mais cedo do que se pensa, os verdadeiros problemas prementes se venham a mostrar bem no meio da rua. Deus queira que eu me engane. A falat de meios de subsistência é uma coisa muito concreta que afecta cada vez uma meior número de portugueses. Mas acho melhor postar sobre isso...

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