quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

cultura de corrupção

O Der Spiegel (versão inglesa) publica um texto com muito interesse em que demonstra como a cultura de corrupção arrasta a Grécia para o abismo e chega mesmo a pôr em risco o próprio €uro.
Na Grécia, as oligarquias acham que a UE (leia-se: a Alemanha) irá socorrer e salvar a Grécia do colapso.
Na Alemanha ninguém está disposto a isso: a Grécia que peça socorro ao FMI.

Este quadro tem algo de familiar com o que se passa em Portugal.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

a China e o dinheiro

Na China foi sumariamente condenado e executado um inglês, dizem que mentalmente débil, acusado de transportar 4 quilos de droga numa mala. Defendeu-se dizendo que alguém a pôs lá sem ele se aperceber. O julgamento demorou meia hora. Foi condenado à morte e rapidamente executado.
A pena de morte é uma selvajaria que costuma suscitar protestos em todo o lado, mas neste caso não.
A China é uma ditadura brutal onde não vigoram os mais básicos direitos humanos, políticos, sindicais e sociais, o que costuma suscitar grave desaprovação, mas neste caso não.
É tal o autoritarismo e falta de liberdade, que os casais são proibidos de ter mais que um filho. E ninguém se indigna.
E toda esta complacência porquê?
Porque a China está cheia de dinheiro.

domingo, 27 de dezembro de 2009

câmara corporativa

Existe um blog, chamado Câmara Corporativa, caracterizado pelo mais boçal socretinismo. Chega mesmo a ser repugnante e lembra o antigo SNI do tempo do Salazar.
A escolha do nome do blog é um acto falhado. Antes do 25 de Abril, eles gostariam de ter sido da Câmara Corporativa. Agora, gostariam que o PS pudesse governar como nessa altura a União Nacional, num regime de poder total do Primeiro Ministro (então Presidente do Conselho), sem oposição do Parlamento (então Assembleia Nacional) que se limitaria a cooperar, e com um Presidente da República que não interferisse e se limitasse a inaugurações.
Eles gostariam e ter um Salazócrates, os Socretinos.

golpes de estado

Nos Estados Unidos nunca há golpes de estado... porque lá não há consulados dos Estados Unidos.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

os novos pobres e os novos ricos

O Natal é um dia apropriado para pensar nos outros.
É nesta perspectiva que me ocorre pensar nos novos pobres e nos novos ricos.
Os últimos anos produziram um aumento do fosso que separa os pobres e os ricos.
Não que os pobres estejam muito mais pobres, mas há mais pobres, aumentou o seu número. Muitos foram precipitados da classe média (e até de mais alto) para a pobreza.
E há mais ricos, sobretudo ricos muito mais ricos. Aos velhos ricos acederam muitos outros, enriquecidos de modos variados, nem sempre confessáveis. E muitos velhos ricos tornaram-se novos ricos, perderam as qualidades que já tinham adquirido com o tempo e voltaram à ganância e à falta de pudor que é própria dos novos ricos.

A sabedoria dos séculos ensina que não é bom nem prudente ofender a pobreza. Os velhos ricos sabiam-no. Sabiam-no uns pela inteligência e outros pela memória das muitas revoltas, frondas, revoluções e confrontações sociais causadas pela frustração dos pobres e pela exibição de riqueza dos ricos, enfim, pela falta de respeito dos ricos pelos pobres. Foi sempre cíclico na História.

Hoje, no Dia de Natal, eu penso nos pobres e nos ricos, nos novos pobres e nos novos ricos, em como os novos ricos ofendem os novos pobres com as suas exibições de riqueza. Penso em como os novos ricos não pensam nisto. Não sabem história (isso dá dinheiro?), não pensam nos pobres (isso dá incómodo). Não lhes ocorre a mais básica das prudências, a de evitar o confronto de muita riqueza com muita pobreza e o efeito social explosivo que daí decorre.

E ocorre-me recordar Mateus (25), sobre o Juízo Final:
Quando o Filho do Homem vier na Sua glória, acompanhado por todos os Seus anjos, sentar-Se-á então no seu trono de glória. Perante ele reunir-se-ão todas as nações e Ele apartará as pessoas umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. À Sua direita, porá as ovelhas, e à Sua esquerda, o cabritos. O Rei dirá então aos da Sua direita:

Vinde, benditos de meu Pai. Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome, e destes-Me de comer; porque tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e acolhestes-Me; estava nu, e deste-Me de vestir; adoeci e visitaste-Me; estive na prisão e fostes ter Comigo.

Então os justos perguntar-Lhe-ão: Senhor, quando foi que Te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando te vimos peregrino e Te recolhemos, ou nu e Te vestimos? E quando Te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar-Te?
E o Rei dir-lhes-á em resposta: Em verdade vos digo: Sempre sempre que fizestes isto a um destes Meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes.

Em seguida dirá aos da sua esquerda: Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno que está preparado para o Diabo e seus anjos. Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; era peregrino e não Me recolhestes; estava nu e não Me vestistes; doente e na prisão, e não fostes visitar-Me.

Por sua vez eles perguntarão: Senhor, quando foi que Te vimos com fome, ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não Te socorremos?

Responderá então: Em verdade vos digo: Sempre que deixastes de fazer isto a um destes mais pequeninos, foi a Mim que o deixastes de fazer.
Esta é a superioridade moral do cristianismo. Nenhum cristão tem a obrigação de resolver todas as injustiças do mundo, mas cada um tem a obrigação de fazer o que estiver ao seu alcance. Ajudar os outros, principalmente os que estiverem em maior dificuldade, e não acumular riquezas de que não necessita.
O novo-riquismo que ofende e provoca a pobreza é insensato, mas é também uma imoralidade. Mais grave do que isso, é um pecado.
Ninguém pode amar a Deus e ao bezerro de ouro.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

para quem ainda se lembrar...

Para quem ainda se lembrar do tempo que que ainda tudo se podia sonhar, tudo se podia esperar, tudo se podia ousar...

insensato

Qualquer pessoa sabe que a ocultação de informação desencadeia boato, especulação e suspeita. Por isso, é insensato ocultar a informação sobre a intervenção do Sócrates na Face Oculta, no Freeport, etc. As pessoas imaginam as piores coisas, possivelmente piores do que aquilo que se oculta.
Também é insensato ocultar a gravíssima - dramaticamente grave - crise orçamental, financeira, económica e social com manobras de diversão como o casamento homossexual, guerrilhas políticas com a Presidência e até com o Patriarcado.
É insensato e só pode dar maus resultados.
É inquietante a falta de resposta à crise. Já nem a Grécia, só mesmo Portugal continua a agir como se não existisse. É insensato assobiar para o lado.

domingo, 20 de dezembro de 2009

os socialistas ...

Segundo o Público, o PS acusa o PR de interferir no seu calendário político, excedendo os limites das suas competências constitucionais. Há alguns dias (uma semana?) ouvi o PS criticar o PR por não intervir no impasse que lhe causava a maioria que a oposição exerce no Parlamento.
Tudo serve para disfarçar a atenção dos problemas económicos.
Mas não adianta, eles estão cá.

sábado, 19 de dezembro de 2009

às Lollas cá da terra

girls will be boys
and boys will be girls

A propósito das vitórias políticas das Lollas cá da terra


a lei e a natureza das coisas

A lei pode dizer que 2+2=3. Pode dizer que Sócrates é Engenheiro, que o Partido Socialista é sério, que as obras públicas são honestas, que o défice orçamental é aquele.
Não adianta: é mentira.

A lei pode revogar a morte em homenagem ao direito constitucional à vida.
Pode revogar a doença em homenagem ao direito constitucional à saúde.
Pode abolir o desemprego, em homenagem ao direito constitucional ao trabalho.
Não resulta: a realidade é o que é e não o que a lei diz.

A lei pode dizer que a baleia é um peixe, que o morçego é um pássaro ou que uma zebra é uma cavalo às riscas.
Não adianta: as coisas são o que são e não o que a lei possa dizer que são.

A lei pode decretar os casamentos homossexuais, o tribunal constitucional pode confirmá-los, os jornalistas podem adorá-los, os maricas e as fufas podem festejá-los.
E daí? o casamento será sempre o que sempre foi.

Commonsense continuará a não aceitar casamentos homossexuais,

Este foi mais um prego no caixão da segunda república: a mais corrupta, a mais porca e a mais imoral de todas.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

oh patego ...

Notícia de primeira página nos jornais: o circo de aviões de acrobacia redbull sai do Porto e vem para Lisboa.
Para isso, pagou-se bom dinheiro.
Vai gastar combustível, carregar carbono para a atmosfera, fazer efeito estufa, uma barulheira infernal, interditar um bocado do Tejo aos lisboetas... Isto, se não cair nenhum daqueles brinquedos na Torre de Belém.
É isto mesmo a imagem do regime: é preciso entreter os imbecis com jogos infantis, enquanto a crise se aprofunda.
Circensses sine pane
ou, em português
Oh patego olhó avião.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

a propósito de funerais...

Já agora, e a propósito de funerais: vai ser um lindo enterro o que nos espera.

Sócrates não estava obrigado a aceitar o encargo de formar governo e governar em minoria relativa. Se o fez, deve negociar realmente com a oposição, em vez de passar a vida a queixar-se e a vitimizar-se. Mas o que é que ele queria? continuar a governar do mesmo modo como se não tivesse perdido a maioria absoluta?

O voto político das últimas eleições foi muito claro: um governo em diálogo e negociação com as oposições. Sócrates, repito, não estava obrigado a aceitar o cargo de governar nestas condições, mas aceitou e tem de cumprir. E não adianta apelar para o Presidente ou fingir que se vai demitir, ao estilo "agarrem-me senão eu demito-me"

Quem perde com tudo isto é Portugal e os Portugueses. Mas, verdade seja, a culpa também é deles. Quem os mandou votar em Sócrates outra vez?

Vai ser um lindo enterro.

domingo, 13 de dezembro de 2009

o funeral de Alex (The Big Chill)

Hoje esteve uma dia fantástico e estou particularmente bem disposto. Ninguém diria que me apetece ver uma funeral.
Mas, no meio da mediocridade nacional, apetece-me o génio desta cena fantástica com que acaba um filme inesquecível para a minha geração: Os Amigos de Alex (The Big Chill)

sábado, 12 de dezembro de 2009

Airbus A400

Vou pela primeira vez o Airbus A400. É um avião militar cargueiro de enorme capacidade e eficiência com tecnologia futurista, capaz de superar a crónica falta de mobilidade das forças armadas europeias. Pode transportar soldados em grande número mas, o que é novo, um blindado ligeiro ou mesmo dois helicópteros de ataque. Descola e aterra em pistas de terra curtas e é essencial para abastecimento em voo de aviões de combate, de helicópteros e até de outros A400. A sua capacidade em missões humanitárias é enorme.
É um passo de gigante para uma capacidade militar credível da União Europeia.
Aí vai o filme oficial:

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

homossexuais casadoiros

À beira da bancarrota em que é que pensa o Governo Socialista: no casamento dos homosexuais.
É mais uma maneira de fugir à realidade - v. denial syndrome - ou de tentar provocar o derrube do Governo? é uma simples garotice? para quê a pressa? há alguém assim tão apaixonado no Governo ou no PS?
O Governo e o PS (são a mesma coisa) andam a tentar provocar o Presidente da República a intervir na política interna. Será para o responsabilizar por não neutralizar as iniciativas da oposição? será para o colar à oposição? será para o levar a dissolver o Parlamento e convocar eleições antecidapas? ou pensam mesmo que têm direito a governar sem oposição? sem ter de negociar com as outras forças parlamentares?
O Presidente vai pronunciar-se publicamente em breve: no Natal não vai dizer nada que não seja natalício, mas no fim do ano vai falar ao País e aos Portugueses e então vai ter de dizer algo de substancial e relevante. Não tem sentido provocá-lo antecipadamente.
Entretanto, Portugal continua a afundar-se. Vai entrar em Janeiro sem orçamento e a funcionar por duodécimos. Mas como é possível que suscite credibilidade que necessária para obter crédito externo, financiamento, investimento. Até as célebres obras faraónicas são impossíveis no sistema de duodécimos.
Entretanto, na Irlanda, são reduzidos os salários, na Hungria os funcionários já só ganham 12 meses por ano. E em Portugal, ninguém repara, ninguém se interroga, ninguém se aflige. A oeste nada de novo?
A prioridade do Governo PS é satisfazer anseios de homossexuais casadoiros.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

denial syndrome

Denial is a defense mechanism postulated by Sigmund Freud, in which a person is faced with a fact that is too uncomfortable to accept and rejects it instead, insisting that it is not true despite what may be overwhelming evidence.

Numa primeira fase, negaram que houvesse crise económica; numa segunda fase (actual), acusam-na de ser de indução externa e negam de seja uma crise económica interna.

Enquanto continuarem a negar não começarão a enfrentar.

Haverá por aí algum psicanalista patriota que esteja disposto a falar com eles?

Depois da Islândia e do Dubai, a seguir à Grécia ...

Na ordem económica e política internacional que se seguiu ao fim de Bretton Woods, à deregulation e ao Euro, ninguém pensava que poderiam acontecer sovereign defaults.
Mas houve...
Primeiro foi a Islândia faliu. Os islandeses endividaram os seus bancos a tais níveis que acabaram num estoiro financeiro global. Numa terra com pouco sol, nem sequer se revoltaram, conformaram-se, empobreceram, entristeceram e elegeram uma governo que os quer inserir na União Europeia. O pior é que a União europeia não os quer... pelo menos no estado em que estão.
Pensou-se que se ficava por ali, mas não...
Depois foi o Dubai. Paraíso financeiro e imobiliário, colapsou pela falta de procura para aqueles disparates de construção e especulação. Pode ser espectacular, mas ninguém quer comprar aquilo. A Dubai World, empresa imobiliária «sovereign», apesar de o governo local ter expressamente excluído a sua responsabilidade, acabou por ter de ser pegada ao colo pelo Estado, que está a falir com ela.
Coisas longínquas e exóticas dir-se-á, mas talvez não...
A próxima, diz toda a gente, vai ser a Grécia. Os gregos, gente de sangue quente e tradicionalemente «trouble makers» já desataram a partir tudo na rua, a enfrentar a polícia com cocktails molotov, etc., e a mostrar que vem aí o pior.
E os próximos? Interrogam-se os portugueses....
Os próximos somos nós.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Copenhaga - Deus queira que sim.

Muito mais do que o futuro da preservação da natureza, o que está em jogo na Conferência de Copenhaga, que agora começou, é a saúde da comunidade internacional, do multilateralismo, da Humanidade.
Eu sei, eu sei, que os objectivos de Copenhaga são caros. Mas não creio que tragam, só por si, uma degradação da qualidade de vida. Pelo contrário, poderão evitar o progressivo envenenamento do ambiente em que vivemos. Pode, é verdade, estragar o consumismo desenfreado das últimas décadas, mas isso não é tão mau assim.
Eu também sei que a questão do aquecimento global está seriamente posta em causa pelo «climagate». Mas sempre achei exagerado o catastrofismo que o envolvia. Nunca estive seguro e continuo a não estar de que haja, sequer, um aquecimento global, muito menos que seja induzido pelas causas que lhe atribuem ou que tenha as consequências dramáticas que lhe anunciam. Mas acho que é preciso não permitir que a ganância acéfala e a sofreguidão do dinheiro, conspurquem e envenenem o ambiente de todos.
Mas, voltando ao tema.
De Copenhaga, o convívio dos povos e das nações do mundo vai sair reforçado, ou não.
Deus queira que sim.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

o Tratado de Lisboa


Entrou em vigor, hoje, o Tratado de Lisboa. Já não era sem tempo.
Foi pena que se tivesse perdido tantos anos e se acabasse com uma versão reduzida do que eu gostaria que tivesse sido feito. É verdade, é verdade, que muita gente não se habituou ainda à ideia e continua a sentir-se mais cosy no seu paísinho pequeno, à beira-mar plantado, com manjerico à porta e janelas com tabuínhas. Mas sem um mínimo de dimensão e de massa crítica, nenhum país europeu conseguiria manter-se e manter o estatuto a que se habituou, quer no aspecto económico, quer no diplomático, quer ainda no militar. Primeiro viria a irrelevância, depois o esgotamento económico, e finalmente a dominação.
Estou contente. Foi reforçada a unidade, a democraticidade e a eficiência.
A Europa é uma cultura riquíssima, com muitas cambiantes e especificidades. E não é necessário perder o que é próprio de cada povo europeu. Há muito mais de comum do que de incomum. A Europa é a terra mais civilizada do mundo e é a civilização mais rica do mundo. É também a maior economia do mundo.
Eu sou um europeu.

sábado, 28 de novembro de 2009

a sucata (2) que sucata de justiça

Soube-se agora que no dia 25 de Junho de 2009 (a imprensa diz que foi neste dia) os suspeitos da processo da sucata souberam que estavam sob escuta e mudaram de telemóveis.
Foi nesse dia que as certidões do processo chegaram à Procuradoria-Geral da República.
Que sucata de justiça!

a sucata (1) o PGR

Com este post começa uma série - tipo telenovela - sobre a sucata (leia-se: lixo) que governa e manda neste país. Como o inglês no Uganda, Commonsense vai acompanhar o tráfego da sucata.
Para começar, circunstancialmente, é hoje noticiado que o PGR recusou a constituição de Manuela Moura Guedes como assistente no processo da Face Oculta. Porquê?
Vejamos:
O Código de Processo Penal, no artigo 68/1/e), diz que se pode constituir assistente, além de casos específicos,«qualquer pessoa nos crimes contra a paz e a humanidade, bem como nos crimes de tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, denegação de justiça, prevaricação, corrupção, peculato, participação económica em negócio, abuso de poder e de fraude na obtenção ou desvio de subsídio ou subvenção.»
Não se percebe, por isso, qual o fundamento para recusar à Manuel Moura Guedes o estatuto de assistente.
A sucata não gosta da Manuel Mora Guedes e tem medo dela. Mas qual será a razão?
Será porque nas célebres escutas se ouve o Sócrates e dar Instruções ao Vara para que o BCP financiasse a compra da TVI para correr dali «aquela P...» ?
Mais isto leva-se a perguntar: a Face Oculta é a face oculta de quem? de uma ou mais pessoas?
O PGR tem de ter cuidado porque o seus comportamento processual - tal como aparece exteriormente - começa a tornar-se suspeito de proteccionismo ou favorecimento.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

o Dubai

Agora foi a vez de rebentar a bolha imobiliária do Dubai.
E ainda há quem acredite na racionalidade do mercado.
O problema é que já ninguém tem onde pôr as poupanças: debaixo do colchão? em ouro? depositar notas no cofre do banco? ou acumular géneros alimentícios?
Talvez comece a valer a pena comprar terra agrícola produtiva, com vaca para dar leite e cabritinho.... e voltar à troca directa.
Entretanto, podem dar nóbeis da economia a todos os economistas: um a cada um.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

muitas crianças a chorar

Mais um ano, já nem sei quantos já la vão, desde que começou o maior e o mais nojento processo da justiça portuguesa.
O festival de chicana processual, o poder económico e mediatico dos pedófilos, a fraqueza económica e social das vítimas, os grupos de interesse envolvidos, conseguiram contaminar a justiça portuguesa com aquela lepra da perversão, da corrupção, da anomia.
A anomia é a falta total de princípios, de valores e de regras morais.
Com o auxílio de opiniões jurídicas em pareceres comprados a dinheiro, de advogados mercenários cuja consciência é lavada a dinheiro, com o auxílio de jornalistas cúmplices complacentes cujas prosas são inspiradas a dinheiro, e com a cumplicidade dos muitos adeptos desconhecidos (mas reais) daquelas práticas abomináveis, receio bem que não venha a ser feita justiça.
No fundo estamos mais uma vez perante o poder crescente do loby gay. Sim, Gay, porque no caso da Casa Pia houve muita pedofilia, mas nunca o envolvimento de mulheres ou de meninas. Desde o Pedroso, ao Herman, ao Cruz, ao Ritto (com dois tt, que querido), a todos os outros, é sempre de homosexualidade masculina, de pederastia que se trata, na sua versão mais porca e mais reles, a do aproveitamento da fraqueza das crianças.
A rede da maricagem é extensa e poderosa, e talvez consiga safar os seus pares.
Mas importa não esquecer também que o principal réu do processo é o Estado Português. O Estado que tirou crianças às sua famílias para as internar naquele mostruário onde as mais repelentes criaturas as iam buscar para as abusar sexualmente. Algumas destas crianças viviam em famílias problemáticas, é verdade, mas com certeza não tão problemáticas quanto a Casa Pia. Outras nem sequer tinham uma família que as pudesse socorrer. Foi o crime mais cobarde e mais hediondo da História de Portugal.
Se forem absolvidos os arguidos, convido daqui todas as pessoas de boa vontade para a construção em frente à Casa Pia, por subscrição pública, de um Monumento à Injustiça.
Proponho que seja uma escultura colectiva de muitas crianças a chorar.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

o custo económico da corrupção

O custo económico da corrupção, mais do que os dinheiros que vão parar onde não deviam, é o das péssimas decisões que são tomadas por causa dela.

domingo, 22 de novembro de 2009

low profile

A União Europeia designou o Presidente do Conselho Europeu - Herman Van Rompuy - e a a Alta Representante para a Política Externa - Catherine Ashton.
Foi uma opção de low profile.
Para a Presidência não foi Junker nem Blair. Nem um eurocêntrico nem um eurocéptico. Foi um político muito inteligente, ponderado, respeitado e construtor de consensos. Penso que foi uma boa escolha. O avanço institucional (aprofundamento) da UE foi muito forte e importa evitar rupturas. Nesse aspecto, foi a escolha ideal. É claro que é mais um Presidente interno do que externo, mas foi o que era preciso. O tempo é de consolidação.
Catherine Ashton vem do comércio externo, onde teve uma boa experiência e desempenhou um óptimo papel. A sua designação significa que a diplomacia da União vai ser dominantemente económica. A UE não se vai entreter muito com conflitos armados, mas sobretudo vai tratar das questões do comércio e da economia internacionais. Que eu saiba, é disso que a Europa precisa neste momento.
Os analistas e os jornalistas ficaram decepcionados. Não houve crises nem espectáculo. Houve commonsense.

sábado, 21 de novembro de 2009

a nave dos loucos

Ponho-me na posição do inglês no Uganda e olho para cá com o mesmo espanto que qualquer estrangeiro que passe por aqui sem ser em turismo. E penso: esta gente está toda doida.

O Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o Procurador-Geral da República detestam-se há anos, mas têm ambos, por igual, o sentido da oportunidade – há quem lhe chame do oportunismo – na construção das respectivas carreiras profissionais. Embora pareça já não haver mais por onde subir, nunca se sabe e convém estar sempre de bem com quem importa. E, assim, esmeram-se ambos em desresponsabilizar o Primeiro Ministro, em deixá-lo incólume e sem incómodo, mas – claro está – atirando a culpa um para o outro.

O Ministro das Finanças apresenta um remendo ao orçamento em que quer mais quatro mil e tal milhões de euros, porque já não há mais dinheiro para gastar. Quer dizer: o País faliu. E, perante isto, desatam os políticos, os comentadores e os jornalistas em exercícios verbais: é um «orçamento rectificativo» ou um «orçamento redistributivo». E não se cansam de debater esta «vexata quaestio».

O DIAP de Aveiro apanhou um rede de corrupção e tráfego de influências. E logo se empenha tudo a discutir sobre escutas telefónicas, como se a corrupção fosse um honesto ofício e a investigação criminal uma perversão pestilenta.

Uma empresa pública do sector das estradas «perdoa» 430 milhões de euros a dois empreiteiros – muito próximos do Governo, quem diria. Em vez de se demitir e pintar a cara de preto, o respectivo presidente indigna-se contra o Tribunal de Contas que discordou desse «virtuoso desprendimento» e ameaça quem apareceu na televisão a falar do assunto.

Houve dois bancos que faliram fraudulentamente e ninguém está preso. O ex-presidente de um deles queixa-se que não tem dinheiro para viver. Será que lhe vão dar o «rendimento mínimo de inserção»?

Não sei se há qualquer coisa na água que os portugueses bebem, ou se têm «bug» no software.

Acho que estão loucos, doidos varridos, estão mesmo de internar.

domingo, 15 de novembro de 2009

o novo hino do PS

Depois de tudo o que se esta a passar, proponho um novo hino para o PS:
É tocado e cantado pelos Beatles e chama-se  MONEY                                


horizonte sombrio

Há notícias sobre a recuperação económica na União Europeia e em Portugal. Por enquanto ainda tímida.

Não sei se a notícia é mesmo boa ou é só menos má. O regresso ao crescimento poderá trazer consigo a inflação e o aumento das taxas de juro. O problema é o da descoincidência entre os ritmos das economias europeias e da portuguesa. Se a economia portuguesa não acompanhar a recuperação da economia europeia, se não crescer de todo ou se crescer acentuadamente menos, a sua situação agravar-se-á. A dívida pública e a dívida privada, internas e externas, que hoje são enormes passarão ser ser muito mais caras, o que irá absorver os poucos recurso disponíveis para o investimento e agravar ainda mais os desequilíbrios.

Entretanto,  a União Europeia já fixou a Portugal um ritmo de recuperação do défice que porá o País a pão e água durante anos. Adeus hiper-consumo. Sem ser puxada pelo consumo interno, a economia portuguesa vai ter de contar principalmente com as exportações. Nos serviços, o turismo continuará a pontificar, mas as manufacturas, subcapitalizadas e com baixa competitividade vão sentir dificuldades. Entretanto, uma banca descapitalizada e com hábitos persistentes de crédito predatório, não vai ajudar.

A agravar tudo isto, a falta de qualidade das estruturas políticas e dos seus protagonistas não pode ajudar.
 

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

i can get no satisfaction

Há alguém que consiga estar satisfeito com o estado em que isto está?
No, no, no...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

será possível, ou mesmo aconselhável ?

Será possível, ou mesmo aconselhável, manter este primeiro ministro a governar Portugal, quando são de prever dificuldades financeiras gravíssimas, políticas económicas e restrições orçamentais severíssimas, tremendas dificuldades para os portugueses e, quiçá, perturbações ou mesmo rupturas sociais com violência na rua?
Este primeiro ministro está envolvido em cada coisa e em tais coisas que está a perder aceleradamente a respeitabilidade.
Os dias maus que aí virão exigem um governo legitimado substancialmente (não chega a legitimidade constitucional-formal) dirigido por um primeiro ministro acima de qualquer suspeita, em quem os portugueses tenham plena confiança quanto à seriedade e competência.
Esse primeiro ministro não é este primeiro ministro.
Mas será possível, ou mesmo aconselhável, mudar de primeiro ministro nesta altura, como ou sem novas eleições? Não irá essa mudança agravar ainda mais o défice de confiança dos portugueses nas instituições e o pessimismo geral?
Não interessa repetir o juízo da culpa do PSD que teve a vitória eleitoral na mão e não soube ganhar, ou do eleitorado que votou ininteligentemente em quem já revelava as características que tem, nem numa imprensa arregimentada que sempre deu cobertura a tudo isto.
É preciso pensar bem, com cabeça fria.
Que será de fazer quando Sócrates for mesmo constituído arguido num dos vários processo pendentes em tribunais portugueses?
Que será de fazer quando Sócrates for mesmo condenado num tribunal inglês - há um processo em curso - por co-autoria ou cumplicidade em corrupção no caso Freeport? E se esse tribunal inglês emitir mandato de captura europeu - pode fazê-lo - contra Sócrates, primeiro ministro de Portugal?
Não se pode fechar os olhos nem olhar para o lado.
É preciso pensar.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sócrates e Berlusconi

Porque é que Sócrates é pior do que Berlusconi?
Sócrates e Berlusconi têm o mesmo género de problemas com a justiça.
Sócrates e Berlusconi beneficiam ambos de impunidade judicial em virtude de hábeis alterações cirúrgicas introduzidas na legislação pelos seus partidos.
Mas,
Berlusconi é riquíssimo e Sócrates nem por isso.
Berlusconi tem uma oposição fortíssima dos juízes e Sócrates nem por isso.
Berlusconi tem uma oposição fortíssima dos jornalistas e Sócrates nem por isso.
Berlusconi tem uma oposição política fortíssima e Sócrates nem por isso.
Berlusconi gosta de mulheres bonitas e Sócrates nem por isso.

domingo, 8 de novembro de 2009

é o fim do caminho... é a lama, é a lama...

Com tudo o que se está a passar apetece-me dizer que é o fim da picada, que é o fim da macacada, ou que é o fim do caminho...

a face oculta e o Procurador

Segundo o Público, a Procurador-Geral da República tem já há quatro meses, desde Julho, nove certidões de conversas telefónicas entre Vara e Sócrates emergentes do processo Face Oculta.

Isto é grave e começa a configurar um caso de encobrimento.

O Procurador tem de se explicar.

sábado, 7 de novembro de 2009

a face oculta de Sócrates

Foi noticiado pela imprensa que nas escutas a Armando Vara foram interceptadas conversas telefónicas com Sócrates. O seu conteúdo justificou que o Ministério Público mandasse extrair certidões dessas conversas telefónicas, que foram enviadas para o Procurador-Geral da República.
Perguntado, o Procurador disse que está a estudar essas gravações e que oportunamente se pronunciará.
É importante que o Procurador compreenda que os portugueses têm o direito de saber o que consta dessas gravações, porque se trata de possível envolvimento do Primeiro Ministro em práticas que poderão ser de corrupção.
Os cidadãos têm o direito de escrutinar democraticamente os seus governantes.

porque seria ?

Tinha ficado a interrogar-me porque seria que este caso 'face oculta' apareceu sem fugas de informação, sem ocultação de pessoas importantes envolvidas, foi rapidamente investigado, com competência, enfim, como deve ser?

Acho que já sei: foi porque a investigação foi feita pela Directoria de Aveiro da PJ e não pelo DCIAP de Lisboa.

Percebi isso quando vi a Cândida Almeida nervosa a dizer coisas atabalhoadas sobre ele.

Não há candura que justifique!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

uniões homossexuais (2)

Como a questão voltou a suscitar-se e a minha opinião não mudou, volto a dizer o que já disse antes:

No meu tempo de juventude, eram os padres que queriam casar. Agora são os homossexuais.

O casamento é uma instituição muito antiga, que sempre tem sido reservada para uniões heterossexuais ligadas à instituição da família. Tem uma imensa dignidade que lhe vem de ser originariamente um sacramento religioso – um voto – que, mais tarde, no princípio do séc. XX, veio a ser laicisado como um contrato civil. A sua dignidade não lhe vem da recente natureza contratual, mas antes da sua antiquíssima natureza sacramental, votiva e familiar.

Toda a gente sabe que existem uniões homossexuais mais ou menos perdurantes e apoiadas em projectos de vida em comum assente no afecto. Essas uniões têm sido reconhecidas pelo direito como tais, mas não como casamentos. A quem estiver interessado recomendo a consulta da lei inglesa - Civil Partnership Act - de 2004, que está tão bem feita e tem dado tão bons resultados que bem poderia ser traduzida para português e legislada pela AR (é melhor não os deixar pensar nem inventar). Resolve todos os problemas e satisfaz todas as exigências, menos uma: não lhe dá o nome de casamento. Poderia ser usada a designação «união homosexual» ou outra semelhante.

Parece que o importante seria o uso da expressão casamento pelo seu «valor simbólico». Mas tal constituiria uma mistificação e uma falsificação terminológica. É que a dignidade e o valor simbólico do casamento vêm da sua natureza sacramental e da sua ligação à constituição da família, como sua pedra angular, o que de todo falta nas uniões homossexuais.

Os homossexuais são cidadãos e cidadãs como toda a gente e têm direito à correspondente dignidade cívica. O que não têm é direito a pretender ser o que não são. E é mesmo patético que sejam eles próprios a se desdignificarem quando se não conseguem assumir como são, sem precisar de parasitar a dignidade duma instituição que lhes é completamente alheia.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

homens e mulheres: igualdade e diversidade

Entre homens e mulheres há igualdade e diversidade.
Há igualdade nas profissões, nas artes, nas letras, na ciência, na política e recentemente até na guerra.
São profundamente diferentes e complementares na família, no amor, nos afectos.
Quem não perceber isto é porque não percebeu nada.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

símbolo sexual

Não há pior ofensa à mulher que o entusiasmo homossexual dos socialistas.
Para manifestar o meu repúdio e também para fazer a minha provocação, aí vai, do Roberto Carlos, o meu símbolo sexual:

sábado, 31 de outubro de 2009

face oculta

Recomendo a leitura do post do Jorge Assunção - despertar da mente - sobre o tema. Assino por baixo.

Mas acrescento algumas interrogações:
Porque é que o Banco de Portugal só agora se lembrou de 'investigar' Armando Vara, quando já toda a gente o conhecia?
Porque é que Armando Vara só vai ser interrogado no dia 9?
Porque é que este caso só aparece a público depois das eleições?
Porque é que os jornais só revelaram os nomes de alguns dos envolvidos?
Porque é que o BCP se apressou a manifestar a confiança em Armando Vara?
Porque é que o BCP tem esta queda para gente assim?

Não é possível continuar a impunidade. Apesar  do que escreve Jorge Assunção, apesar de não serem 'todos iguais', há uma coisa em que os corruptos têm sido todos iguais: é na impunidade.

Desde Sócrates, a Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro, a Isaltino, a Dias Loureiro, a Oliveira e Costa, àqueles cujos nomes desconheço envolvidos nos submarinos, no portucale, na operação furação, no freeport, nos contentores, naqueles concursos públicos que se sabe, etc., etc., etc., que mais nos irá acontecer. Até já em provas académicas universitárias aparecem coisas destas!

Já não se pode confiar na seriedade dum concurso público, duma adjudicação, duma concessão, até de despachos e decretos-lei. Nós não somos todos iguais, Jorge Assunção; eles é que são. Eles, os xico-espertos, os amigos, os cunhados, os empenhados, os milagrosamente enriquecidos, são todos iguais na impunidade. E ficam a rir-se de nós.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

não há banqueiros no Céu - 2


Pior do que um banqueiro, só um banqueiro socialista.
Começou como caixa na Caixa (Geral de Depósitos), depois mergulhou no PS e voltou à superfície como administrador da Caixa Geral de Depósitos. Daí saltou para Vice-Presidente do BCP.
Agora foi constituído arguido por crimes ligados à desonestidade.
Como era de esperar, o BCP manteve-lhe a confiança e o Banco de Portugal continua a considerá-lo idóneo para o exercício do cargo.
Isto só se pode ser explicado porque o BCP tem uma péssima opinião de si próprio e o Banco de Portugal uma péssima opinião do sector bancário português.
Pior que um socialista, só um socialista banqueiro.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

não há banqueiros no Céu

Não há dia em que não feche uma fábrica, um escritório, uma loja, um restaurante. Não há dia em que não sejam atirados para o desemprego mais e mais portugueses. Basta que fique desempregado um membro da família para que a frágil economia familiar entre em crise. Se forem dois é pior, quando não mesmo fatal.
Já se esperava, foi-se atrasando artificialmente, até às eleições, mas não podia mais ser contido. Agora vai ser uma cascata de encerramentos de empresas, de lay-offs; vai ser um rio de desesperados.
Entretanto, o padrinho da banca aparece na televisão, com brilhantina no cabelo e óculos na ponta do nariz, sem um sorriso no rosto e com o olhar façanhudo, a dizer que são os accionistas que fixam os vencimentos dos banqueiros. Quer dizer, que são eles que fixam a si próprios os seus réditos enormes, excessivos, provocantes, imorais, pecaminosos. Ganham por mês o que o humildes não ganham numa vida. E não querem partilhar, nem mesmo quando os seus bancos foram salvos com os magros IVAs dos pobres.
Eu sempre soube que não há banqueiros no Céu. Não passam no buraco da agulha. Não se pode ao mesmo tempo amar os pobres e o bezerro de ouro.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

um governozinho

Penso que a generalidade dos portugueses quereria ter um governo de coligação com uma maioria sólida ao centro. Os portugueses estão preocupados com a crise e querem que o País seja governado no seu interesse e não no interesse dos partidos.
O interesse dos partidos é outro. O PS acha que a oposição não pode derrubá-lo porque só teria a perder numa subsequente eleição. O PSD porque acha que perderia votos se entrasse em coligação e que vai capitalizar com o descontentamento que resultará do aprofundamento da crise económica e social. Os pequenos partidos de contra-poder acham o mesmo.
É por isto que Portugal vai ter um governo sem a força política necessária para enfrentar as dificuldades e os desafios presentes e futuros. E vai continuar a empobrecer.
Não se diga que era inevitável. Na Alemanha, o SPD e a CDU-CSU fizeram uma coligação de bloco central e governaram, conseguindo ultrapassar a crise. Claro que ambos perderam votos, o SPD mais que os outros. Os outros vieram agora a coligar-se com o FPD (liberal) e vão continuar a governar bem.
O novo Governo Português, na sua lógica, vai usar de toda a demagogia e propaganda para poder ganhar as eleições subsequentes a uma sua queda prematura. Vai piscar o olho à direita (à direita económica) com umas obras públicas e à esquerda (à esquerda ideológica) com mais rupturas da moralidade tradicional.
Portugal vai continuar desgovernado.

domingo, 25 de outubro de 2009

a educação e a justiça

Já no tempo da Regeneração, o país arruinou-se a fazer infra-estruturas: estradas, caminho de ferro, portos, pontes. Não foi mau que as construísse, o que foi mau foi que não tivesse investido suficientemente na educação. Isto, hoje, é incontroverso.
Por isto, parece-me bem Isabel Alçada na educação, porque é uma pessoa civilizada, ao contrário a antecessora. Já não é boa a continuação de Mariano Gago na Ciência e na Universidade, porque tem tido um desempenho medíocre.
Na Justiça, Alberto Martins é melhor que Alberto Costa. Qualquer um seria. Mas não creio que seja capaz de reformar o sistema.
Os dois grandes problemas de Portugal, hoje, além do financeiro (como sempre) são a educação e a justiça.
O próprio Sócrates é um bom exemplo disso mesmo.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Deus morreu?

Há muitos, muitos anos, na minha caserna em Mafra, estava escrito numa parede da casa de banho:
«Deus morreu» e estava assinado «Nitzsche»
Por cima, havia outra inscrição:
«Nitzsche morreu» e estava assinado «Deus»
Depois de ter visto em debates televisivos a decrepitude mental de Saramago, lembro-me daquelas inscrições e apetece-me escrever:
«Saramago morreu» e assinar «eu»

domingo, 18 de outubro de 2009

o bloco central dos negócios

Hoje, em Portugal, há duas direitas e duas esquerdas.
Há uma direita ideológica com princípios e valores e outra direita económica que visa o enriquecimento pessoal.
Há uma esquerda ideológica com princípios e valores e outra esquerda económica que visa o enriquecimento pessoal.
O poder político, em Portugal, hoje, está na mão do bloco central dos negócios, uma coligação entre a direita económica e a esquerda económica. A direita económica alimenta de dinheiro a esquerda económica e a esquerda económica dá à direita económica legitimidade político-social e algum controlo da rua.
Tudo isto apoiado num aparelho de comunicação social comprado e financiado pela direita económica cujos protagonistas visíveis são da esquerda económica.
O objectivo conseguido é o controlo do poder político, do poder económico e do poder mediático pelo bloco central dos negócios.

sábado, 17 de outubro de 2009

outra vez, não ! please

Jean-Claude Trichet, European Central Bank president, told banks on Thursday to return to their “traditional role of providing a service to the real economy”, accusing them of having focused too much on “unfettered speculation and financial gambling”.
His strongly worded criticism, at a banking conference in Frankfurt, highlighted European policymakers’ fears that the recovery of the financial market is encouraging bankers worldwide to be­lieve life can return to how it was before the crisis – risking a popular backlash.
Financial Times hoje

Espera-se bem que estes banqueiros da treta não nos metam outra vez em sarilhos e não nos venham usar o dinheiro dos impostos para sairem deles.
Por favor, tirem-lhes o alvará de banqueiros e metam-nos na cadeia - where they do belong !

a piza financeira

A diferença entre a piza económica e a piza financeira é que a piza económica come-se e a pizza financeira contabiliza-se.
Se cortarmos uma piza em oito fatias em vez de quatro, a piza financeira duplica; a piza económica, não. Se emitirmos mais fatias da piza, a piza financeira cresce; a piza económica, não. Se subirem as cotações das fatias da piza financeira, há cada vez mais pizza; mas a verdade é que a piza não dá mais de comer do que sempre deu. Se emitirmos títulos de piza, os dispersarmos pelo mercado em produtos estruturados e comermos a piza, a pizza financeira entra em bolha, mas já não dá de comer a ninguém.
Mais claro do que isto só é em banda desenhada.
Quem ainda não tiver percebido, pode ler no Economist (10-16 de Outubro 2009), pág. 74: 'Buttonwood - The nature of wealth'.
Já agora: quando derem uma piza ao Constâncio, dêem-lha inteira.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Helena Roseta

Helena Roseta não perdeu tempo. Pediu a todos os grupos parlamentares que revoguem o Decreto-Lei que permitiu a prorrogação sem concurso público da concessão do terminal de contentores à Liscont.
Agora se verá quais são os partidos que são mandados pela Mota/Engil.
É importante olhar para o que irá acontecer, para as respostas, os pretextos e as desculpas que irão ser dados e  para quem os vier a dar.
Os Portugueses ficarão a saber quem é quem e quem é o quê, quem é sério e quem não é.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Lisboa e Tejo e... quem?

Helena Roseta e Nunes da Silva bateram-se inicialmente contra os contentores no Cais de Alcântara.
Foram eleitos na lista de António Costa.
É importante saber de que lado estão. Se ainda estão do lado de cá, ou se passaram para o lado de lá. Importa saber com quem conta a Cidade de Lisboa.
Conheço bem Helena Roseta; Nunes da Silva só assim assim.
A Helena vai tentar, vai discutir, vai bater-se. Penso que vai perder e sair a bater com a porta.
O Nunes da Silva não sei.
Vamos ver o que se vai passar com estes dois. Pode ser que consigam impedir, limitar ou reduzir a selvajaria e a brutalidade que a ganância da Mota/Engil, do Jorge Coelho e do próprio Sr. Mota (o patrão) querem infligir à Cidade de Lisboa. Tudo pode acontecer.
Para já, ajudaram à vitória da Mota/Engil na Câmara de Lisboa. Foi tal que até as suas acções subiram na Bolsa.
À Helena Roseta e ao Nunes da Silva deixo um reminder: nunca se esqueçam que

o pudor é a última homenagem que o vício presta à virtude. 

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

os contentores (outra vez)

O debate entre os candidatos à Câmara de Lisboa foi elucidativo.
Quem não quiser os contentores em frente ao Museu de Arte Antiga deve votar em qualquer um menos no António Costa. O que ele disse mostra bem que vai permitir o plano da Mota/Engil e destruir ainda mais a orla ribeirinha de Lisboa. E isto é péssimo para todos os lisboetas, com excepção apenas dos que estiverem ligados à Mota/Engil.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

o Edito

Em Roma, no tempo da República, quando o Pretor ainda era eleito, as suas promessas eleitorais eram afixadas à porta do Forum, pintadas a vermelho numa tábua branca que se mantinha ali durante todo o mandato, para que o Pretor não esquecesse e os Cives recordassem e exigissem. Chamava-se o Edito do Pretor.
É urgente instaurar esta prática.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

o 5 de outubro

Comemora-se hoje  mais um 5 de Outubro, mais um aniversário da implantação da República.
Durante o Estado Novo, esta efeméride servia de pretexto para as manifestações possíveis da oposição (o reviralho, como lhe chamava a situação).
Hoje, salvo a ternura que lhe dedica a comunidade maçónica, quase ninguém lhe dá importância nenhuma.
A relativa irrelevância da data vem da relativa inutilidade e ineficácia do facto. Mudou o regime de monarquia para república, a família real exilou-se mas, salvo as ininteligentes manifestações de anticlericalismo e algumas violências carbonárias, o sistema político da República foi mais ou menos igual ao da monarquia: um regime parlamentar com governos fracos e caducos, instabilidade política e crise financeira endémica. A República acabou por morrer às mãos da sua própria inépcia e incipiência, e sob o cutelo final do Estado Novo.
O 5 de Outubro, hoje, é mais um feriado em que os lisboetas saem da cidade e ninguém (quase) se dá ao incómodo de concentrar na Praça do Município.
Podia bem servir para que os políticos, os partidos e os titulares dos cargos públicos meditassem sobre a perda de respeitabilidade e de credibilidade das instituições democráticas na generalidade da população, hoje.

domingo, 4 de outubro de 2009

o referendo irlandês

O Tratado de Lisboa foi referendado por 67,1% dos irlandeses, mais de dois terços. Agora faltam apenas a Polónia e a República Checa. Na Polónia, o legislativo já votou, mas o Presidente (eurocéptico, pró-americano) recusou-se a promulgar até que os irlandeses referendassem; agora diz que está à espera dos resultados oficiais, mas vai assinar no princípio da semana. Na República Checa o Tratado de Lisboa foi também aprovado pelas duas câmaras do Parlamento, mas houve dez senadores que pediram a pronúncia do Tribunal Constitucional, e o Presidente (eurocéptico, pró-americano) aproveitou para dizer que não pode promulgar enquanto o tribunal se não pronunciar; mas como o Presidente depende da confiança política das duas câmaras, não poderá manter esta atitude por muito mais tempo.
Agora, a ala mais direitista (leia-se: pró-americana) do Partido Conservador quer que, apesar de já ter sido ratificado pelo Reino Unido, o Tratado seja submetido a referendo mesmo que já tenha entrado em vigor quando (segundo prevêem) vierem a ganha as próximas eleições; o líder tinha dito que só o submeteria a referendo se ainda não tivesse entrado em vigor (leia-se: ainda não tivessem assinado os Presidentes polaco e checo). Na sequência desta atitude, a desvantagem dos trabalhistas baixou 5%.
Não obstante todas estas tentativas (mais ou menos desesperadas) de travar o rumo natural da História, é de esperar que cedo venha a entrar em vigor o Tratado de Lisboa.
A União Europeia ganhará eficácia na acção, o Parlamento Europeu ganhará maiores poderes e passará a ser melhor fiscalizado pelos Parlamentos dos Estados Membros.
A Europa, com os seus mais de 500 milhões da habitantes e a maior economia do mundo, tornar-se-á cada vez mais relevante. Cessará a relativa fraqueza consequente da sua fragmentação.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

como o inglês no uganda

O meu avô contava-me que os ingleses, no Uganda, vestiam-se de smoking para jantar, nem que estivessem numa tenda no mato. Era a maneira de não se deixarem cafrealizar. Tinham um conceito alargado de natureza que incluída as trovadas, os crocodilos, as montanhas, o capim, as cobras e os governantes locais. Encaravam tudo isto como uma inevitabilidade, mas não se misturavam.

Como Portugal se está a tornar Uganda, Commonsense vai tornar-se um «inglês no Uganda»: o dia, a noite, o vento, o mar, os bichos, o ladrões, os corruptos, os recebedores-de-comissões, os arranjadores-de-negócios, os compradores-de-jornalistas, os pagadores-de-políticos, os jornalistas e os políticos, a escom, a mota/engil, o jorge coelho, o isaltino, o valentim loureiro, a fátima felgueiras, o paulo pedroso, o sócrates, o eleitorado, os traficantes e os drogados, os pedófilos e os seus advogados, os banqueiros e os agiotas, tudo isto é inevitável e faz parte da natureza. É preciso viver com tudo isso, sem me misturar nem me cafrealizar. E não vale a pena dar murros em pontas de facas.

Como já não há os ingleses que andavam no Uganda nem o Uganda desse tempo, numa actualização imprescindível, Commonsense será aqui como um Europeu em Portugal.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

o sexo dos anjos

A UE vai abrir um processo de défice excessivo contra Portugal.
O Governo Português vai ter de propor à Comissão Europeia políticas e medidas concretas tendentes à redução do défice. Commonsense não está a ver, nem um Governo capaz de o fazer, nem que políticas e medidas tendentes à redução défice poderão ser propostas pelo futuro Governo, seja ele qual for.
Se Portugal não propuser um plano concreto e credível de redução do défice ou este não for aprovado, a Comissão Europeia passará a reter os fundos comunitários (ou parte deles) que deixarão de ser recebidos em Portugal.
Os Portugueses parecem os Bizantinos, a discutir o sexo dos anjos, talvez para deixarem olhar aquilo que não querem enfrentar.

finalmente, uma supervisão credível

Jean-Claude Trichet, Presidente do Banco Central Europeu, apoiou publicamente a criação de uma autoridade europeia de supervisão financeira, incluindo, banca, bolsa e seguros. Em declarações perante o comité económico do Parlamento Europeu, Trichet disse: “it is the right step to set up a body specifically responsible for macro-prudential oversight”.
A unificação da supervisão financeira, que tinha sido proposta pela Comissão Europeia em 23 de Setembro, ficou assim muito reforçada.
Sob a égide do Banco Central Europeu e beneficiando do seu prestígio e fiabilidade, serão assim substituídas as supervisões nacionais, cuja falha clamorosa na presente crise financeira não permite que sobrevivam por mais tempo.
Há alguns anos já, as pessoas mais atentas manifestavam falta de confiança no actual sistema de supervisão, disperso por cada Estado Membro, por causa do fenómeno conhecido como «captura do supervisor» que permitia que a excessiva proximidade entre supervisor e supervisados conduzisse a uma perigosa «complacência» no exercício da supervisão. Esta «complacência» - chamemos-lhe assim - teve um papel pesado nesta crise financeira, notório em Portugal no «caso Constâncio».
A reforma da supervisão financeira com a sua concentração no ECB constitui um passo muito importante para a reconstrução do sistema financeiro europeu e a recuperação da sua credibilidade.
(Nota: este assunto não suscitou o interesse do pequeno mundo dos jornalistas portugueses)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

o pequeno mundo dos jornalistas 2

Por jornalistas do DN, foi noticido um e-mail entre jornalistas do Público, segundo o qual um jornalista de Belém teria dito a um jornalista do Público, que haveria escutas ou actividades semelhantes em Belém.
De Belém ninguém disse nada, tendo apenas sido demitido o jornalista de Belém.
Os jornalistas e os políticos exigiram de Belém esclarecimentos. Belém deu os esclarecimentos.
Estes esclarecimentos foram poucos porque a história também não era muita.
Neste momento, nas televisões, jornalistas entrevistam jornalistas e criticam Belém.
Continuamos reféns do pequeno mundo dos jornalistas.

o pequeno mundo dos jornalistas

Estive em Berlim a última semana da campanha eleitoral. Lá debatia-se a próxima geração. Aqui discutia-se o que os jornalistas traziam à discussão.
Em Portugal a política, a actividade cívica... e até o futebol... tudo é determinado pelo que os jornalistas pensam e dizem.
Estamos reféns do pequeno mundo dos jornalistas.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Bons resultados na Alemanha

Ao contrário do que se passou aqui, as eleições na Alemanha propiciam estabilidade governativa numa coligação entre o CDU-CSU e o FPD.
A Alemanha via conseguir assim ser governada para a saída da crise económica. Vai continuar a não admitir a entrada prematura da Turquia na UE, vai ter capacidade para se adaptar ao Tratado de Lisboa e para continuar a ser a locomotiva económica da UE.
O Ministério das Finança parece que irá para os liberais, o que é bom para reduzir o défince e o peso excessivo da Estado na economia.
Entretanto, a UE vai abrir um processo de défice excessivo a Portugal. Outra vez. Agora é que vai começar o fim da festa. Por onde é que Sócrates vai poupar no défice? Aceitam-se sugestões.

domingo, 27 de setembro de 2009

Eu sou um europeu que nasceu aqui

É engraçado como se perde uma eleição que até o Rato Mickey ganhava. O PSD da Manuela encostou tanto à direita que perdeu o centro e não estou a ver bem como, quando ou mesmo se alguma vez o virá a recuperar.
O que me anda a parecer é que CDS e PSD cada vez são mais a mesma coisa (qualquer dia fundem-se), que o PS é cada vez mais PSD e que eu cada vez tenho menos a ver com tudo isto. Estou mais interessado nas eleições alemãs e, para a semana, no referendo irlandês.
Enfim, este povo tem o que merece. É rasca, é reles e é medíocre, mas é democrático. O parlamento e o governo vão ser a imagem da nação.
Quando recentemente estive na Bélgica, perguntei a um comissário com quem jantei se era possível ter a cidadania europeia sem ter de ter uma de um Estado Membro. Disse-me que não. Mas nada me impede de, pessoalmente, só assumir a cidadania europeia.
Eu sou um europeu que nasceu aqui.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

per carità

Tirem-me dali o Sócrates


per carità !

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

...e ainda pior...

Como se não chegasse, agora foi o Conselho Superior da Magistratura a «congelar» a classificação do Juiz que acusou o Pedroso no processo Casa Pia. Segundo a imprensa, este «congelamento» foi provocado pelos três socialistas de serviço no Conselho e por causa da acusação que formulou contra Pedroso.

Com esta prática, ficam os demais magistrados a saber que quem acusar socialistas importantes, por exemplo, Sócrates, vai ser prejudicado na sua classificação e, portanto, na sua carreira.

Isto é demasiado grave. Depois das pressões sobre o Ministério Público, sobre a comunicação social, sobre os funcionários públicos, sobre os empresários, etc., etc., agora são os próprios Juízes que são despudoradamente pressionados, condicionados, ameaçados, «congelados».

É mesmo tão grave que ainda me vai levar a reconsiderar a minha opção pelo voto branco: é que, por mais que me custe votar na Manuela e nos seus anõesinhos, repugna-me vir (ou continuar) a ser governado... por «isto».

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

...de mal a pior...

Esta demissão de Fernando Lima é muitíssimo estranha. Conheço-o dos meus tempos de política activa e custa-me a acreditar que tenha feito o que quer que seja sem instruções específicas ou sem a aprovação expressa do Presidente da República. Ao afastá-lo, o Presidente fica enfraquecido: os seus apoiantes mais próximos não vão confiar nele da mesma maneira.
Por sua vez, o enfraquecimento político do Presidente é péssimo para o País. Na falta de maiorias, a próxima solução de governo necessita de uma mediação presidencial e pode mesmo vir a precisar de um reforço da intervenção da Presidência da República na governação durante o próximo quadriénio.
Vejo com muita preocupação a situação política, em Portugal, a degradar-se aceleradamente, quando é previsível o agravamento da situação económica e o aprofundamento da crise social.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

the day after

Muito mais do que o que se diz e faz nas campanhas, nos debates e até nos gatos fedorentos, interessa-me o que se fará quando isto tudo passar, seja qual for o governo... no dia seguinte.
Olhando para situação da economia e das finanças, as perpectivas são péssimas. O próximo governo, seja ele qual for, vai ter de tomar medidas draconianas. Não sei quais serão e nem me apetece pensar nisso.
Mas, já agora, recordo que, na Hungria, o IVA foi subido para 25% (com um efeito dramático nos preços) e a função pública foi reduzida a 12 meses por ano.
Pensem nisto.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

crisis, what crisis?

Do Correio da Manhã de hoje:

Bastonário paga jantar de 300 euros com ministro

A reunião de "alto nível" realizada na Ordem dos Advogados há uma semana, que juntou Marinho Pinto, Alberto Costa, Pinto Monteiro e Noronha Nascimento, acabou também com um jantar de "alto nível" num dos mais caros restaurantes de Lisboa. Já sem o presidente do Tribunal de Justiça, Noronha Nascimento, o bastonário da Ordem dos Advogados, o ministro da Justiça e o procurador-geral da República jantaram no Gambrinus, e a refeição, regada com uma garrafa de tinto ‘Evel Grande Escolha’ de 2004 – que naquele restaurante custa 96 euros –, ascendeu a perto de 300 €, segundo apurou o CM.

Nota 1: Este Bastonário começou o seu mandato a criticar as despesas dos anteriores membros da Ordem no Gambrinus
Nota 2: O Gambrinus é conhecido como «a cantina da Ordem dos Advogados»
Nota 3: Cantaria o Zeca Afonso: Eles comem tudo e não deixam nada...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

...tudo é vaidade e vento que passa...

Enquanto estive fora, não vi nenhum debate, não ouvi, não conversei e não discuti sobre as legislativas.
Estive rodeado por uma paisagem linda, que não queria estragar.
Depois de amanhã parto para Berlim, a respirar civilização.
Continuo a não ter a intenção de ver debates ou entrevistas.
Os protagonistas são tão previsíveis, tão predictable, que não vale a pena.
Restam os jornalistas (e os analistas) a decretarem quem ganhou e quem perdeu.
E assim se ocupam, se interessam, se emocionam, se convencem de que existem e se envaidecem de si mesmos.
Como diz o Eclesiastes: Vaidade, vaidade! Tudo é vaidade e vento que passa.

domingo, 13 de setembro de 2009

terra do fogo

Commonsense acaba de regressar de algures no Norte. Durante duas semanas, foi raro o dia em que não teve um incêndio a distância preocupante, alguns com honras de helicópteros e tudo.

Houve de tudo: beatas atiradas das janelas dos carros para a berma da estrada, queimadas imprudentes (e proibidas) mal controladas, ódios velhos e até fogos postos descaradamente.

Dá para alvitrar que o Norte de Portugal passe a ser chamado Terra do Fogo.

sábado, 12 de setembro de 2009

por que não um concurso público europeu ...

Os treinadores de futebol, os consultores económicos, os médicos, os músicos, os professores universitários podem - e têm sido - recrutados no estrangeiro para satisfazer as necessidades do país quando os nacionais não servem.
Era uma boa ideia abrir concurso público europeu para primeiro ministro e tentar recrutar Blair, Delors (já um bocado velho, mas óptimo), Sarko, ou - sei lá -  outra pessoa competente que nos tirasse deste dilema de ter de escolher entre estes dois trengos.
Não seria de ponderar, na próxima revisão constitucional, a possibilidade (liberdade) de candidatar cidadãos europeus verdadeiramente capazes?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

privatização da saúde e da segurança social

Está em brasa, nos Estados Unidos, a discussão sobre a privatização, ou não, da segurança social e do sistema de saúde. A privatização teria duas vantagens: (1) a alimentação do mercado de capitais com fundos astronómicos que deixariam de ser mal geridos pelo Estado e proporcionariam uma capacidade acrescida de financiamento das empresas; (2) a gestão privada seriam sempre melhor do que a pública, quer a gestão financeira os fundos recebidos dos particulares, que a gestão operacional dos serviços de saúde e de segurança social.

Hoje ambas as vantagens foram desmentidas pelos próprios interesses privados candidatos à gestão dos sistemas de saúde e de segurança social. Com a actual crise financeira, deram tais provas de ganância, incompetência e desonestidade que ninguém no seu prefeito juízo se atreverá a confiar-lhes a gestão dos sistemas nacionais de saúde e de segurança social.

Antes alguma ineficiência estadual do que aquilo que se viu, se vê e se verá.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

onde andam as elites portuguesas?

Portugal tem falta de elites. É um problema histórico concomitante com o esgotamento causado pelo sonho imperial. Com 3 milhões de habitantes, quis dominar metade do mundo. Ficou esgotado. Perdeu grande parte da sua elite em Alçácer Kibir. Depois a Restauração, o Brasil, mas o Terramoto voltou a destruir muita coisa e quase todo o acervo documental. No século XIX deixou no Brasil uma parte ainda não contada, mas com certeza importante, da sua elite que para lá tinha partido praticamente toda. O «fidalguismo», corruptela de um aristocracismo falhado, lançou a ideia peregrina de que a verdadeira aristocracia (de berço) devia ser ignorante e bruta, não precisava de se aculturar porque tinha a subsistência assegurada hereditariamente. Daí uma ideia ainda pior, esta espalhada à burguesia emergente com pretensões, segundo a qual só a riqueza herdada era legítima e apresentável, e só estudava, trabalhava e se aperfeiçoava quem era «mal nascido». Os verdadeiros fidalgos não trabalhavam, não aprendiam, não sabiam nada e nem se interessavam por se aculturarem, se aperfeiçoarem ou fazerem (ou deixarem feita) qualquer coisa de notável. Ainda hoje, infelizmente, se encontra esta manifestação nos alunos das faculdades: quem estuda com afinco, quem quer verdadeiramente aprender, quem aspira a melhorar o mundo, é olhado por cima do ombro com desdém. O verdadeiros ricos (os novos fidalgos novos-ricos de hoje) não precisam de estudar porque têm pais, família e relações que os dispensam de coisa tão plebeia. Trabalhar é bom para os pobres. É este, muito resumidamente o quadro social daquilo que eu chamo depreciativamente «o fidalguismo».

O fidalguismo conduziu Portugal a uma tremenda rarefacção de pessoas com qualidade. Mais ou menos em todos os sectores da sociedade, desde a política, ao ensino, às artes, à ciência, à tecnologia, à empresa, etc., são demasiadamente poucas as pessoas com verdadeira qualidade. São demasiados os portugueses que não têm qualidade e nem sequer estão interessados em tê-la.

Isto viu-se bem, por exemplo, em inquéritos sobre o Tratado Constitucional Europeu, depois sobre o Tratado de Lisboa: um número esmagador de pessoas disse que não conhecia, mas não fez um esforço para conhecer. E olhava acusadoramente para sabe-se lá quem dizendo que «deviam» informar melhor. E, pergunto eu, por que não deviam informar-se melhor?

Do mesmo modo dedicam-se à leitura dos muitos jornais desportivos e sobre questões políticas limitam-se ao chavão: «são todos iguais, não vou votar» deixando o seu destino em mão alheias.

Queixam-se e choram das suas dificuldades, à vezes até se indignam, mas pouco ou nada fazem para sair delas. Têm pena de si próprios. São exigentíssimos com os outros e nada consigo mesmos.

Tudo isto vem a propósito da lamentável alternativa que se apresenta ao eleitorado: Sócrates e Manuela. São os dois péssimos. Sócrates é um suburbano pretencioso, ignorante e espertalhaço, que não sabe nada de coisa nenhuma e se vangloria permanentemente daquilo que não é, não fez e não merece. Manuela ficou com a ideologia política da Acção Católica dos anos 60, do tempo em que andou na Faculdade. Nunca se actualizou, nem sequer domina o discurso oral, cometendo constantes falhas de concordância, incoerências, contradições etc. Na política de família, ficou antes do Vaticano II. Não cuidou conhecer o eleitorado e as propostas que apresenta entusiasmam uma faixa bem magra da sociedade.

O que é dramático é não haver, ou não aparecer, mais gente. Gente com qualidade, nos vários sectores do espectro político. O que é importante como facto político nestas eleições não é que ganhe este ou aquele candidato: é que, ganhe quem ganhar, quem ganhar não presta, como não prestará qualquer coligação que venha a formar-se.

Há realmente uma dramática falta de elites em Portugal. Por onde andam elas, será que estão dispersas, ou não existem mesmo?

a nova geração de magistrados e as pressões orais

Há uma nova geração de magistrados que são verdadeiramente independentes de partidos e ideologias. É dela que sairam os dois procuradores que têm em mãos directamente o caso Freeport.

A geração anterior está muito (embora não na totalidade) influenciada por linhas políticas e principalmente pela maçonaria. Desta geração são os magistrados do Ministério Público superiores hierárquicos dos dois referidos no parágrafo anterior.

A Magistratura do Ministério Público - ao contrário da Magistratura Judicial (juízes) - não é verdadeiramente independente e os superiores hierárquicos podem dar instruções
àqueles que superintendem. E é aqui que está o grande problema do processo Freeport. As instruções têm de ser escritas, mas há uma fortíssima e antiquíssima tradição de instruções orais que não ficam documentadas nos processos.

Há quem esteja a pressionar os procuradores do processo Freeport para que o concluam sem envolver Sócrates e os seus próximos e principalmente sem os constituir aguidos. Sucede que os procuradores do processo não devem obediência a instruções que não sejam escritas e não querem assumir tal orientação como de sua inciativa.

Daí toda esta confusão de pressões.

domingo, 6 de setembro de 2009

os amigos são para as ocasiões

Segundo o Expresso de ontem (1º caderno, pág. 37, canto inferior direito, «Juízes amigos»), a procuradora Cândida Almeida participou na campanha de Soares em 2006. Pode ler-se aí:
E, continuando nesta promiscuidade entre políticos e magistrados, ainda estamos para saber por que razão deram o 'caso Freeport' a uma pessoa - a dramaturga Cândida Almeida - com ligações ao PS (campanha de Soares em 2006)
. A "dramaturga" deve ser gralha.

Não sabia que Cândida Almeida, além de procuradora chefe do DCIAP, tinha proximidade política com o PS a ponto de participar na campanha eleitoral de Soares.

Pensava - oh santa ingenuidade! - que os magistrados no activo não podiam ter actividades político-partidárias e também - agora santíssima ingenuidade! - que nesta circunstância ela própria recusaria um caso como o Freeport.

É uma vergonha para a justiça - e torna fundadas todas as suspeitas - que, além de Lopes da Mota (também participante em campanhas socialistas), também Cândida Almeida esteja na mesma situação.

É verdade que quase já não há cargos públicos que não sejam ocupados por socialistas (oficialmente militantes, não oficialmente militantes, simpatizantes, etc.). Mas desta maneira se compreende a parcialidade com que tanta gente no aparelho judiciário se movimenta para evitar que sejam beliscados Sócrates e, agora também, Pedro Silva Pereira.

Estes truques poderão ser eficientes e conseguir a "absolvição" oficial de Sócrates e do seu governo da acusação de suborno no caso Freeport.

Mas não conseguirão convencer ninguém que tenha dois dedos de testa.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

TVI 4 - a TVI espanhola

Segundo o DN, Manuela Moura Guedes terá sido afastada por ordem de Cebrian, da PRISA espanhola.
Com isto, o diário pró-governamental tentou desviar a autoria do afastamento para além da fronteira.

Mas basta saber da ligação da PRISA ao PSOE e deste ao PS português (o partido-irmão) para ver a mãozinha de Sócrates nesta vergonha.
Sócrates é mesmo assim: um homem sem carácter. Depois de fazer as vergonhas que faz, tenta imputá-las a terceiros. Também no Freeport.

Por cá, ficamos a saber que a TVI é dirigida por espanhóis a partir de Espanha. Espanhol por espanhol, sempre é melhor ver a TVE.

De fuga em fuga, de patifaria em patifaria, Sócrates vai-se enterrando. Só pode ser salvo mesmo pela outra Manuela, a Ferreira Leite, de tão má alternativa que é.

o PS de Sócrates

No Público:

O PS de Sócrates é contra a liberdade

Este texto é interessante e esclarece muita coisa.

Freeport again: a tentação do encobrimento

Do Público, hoje:

Carlos Guerra, antigo presidente do Instituto de Conservação da Natureza e sexto arguido no caso Freeport, quer o afastamento dos procuradores que trabalham no dossier por suspeitar da sua independência e imparcialidade.

Esta é mais uma tentativa de afastar do processo do Freeport os dois procuradores que continuam a resistir às pressões da PGR e do DCIAP para que encerrem o processo sem acusar Sócrates e, pior ainda, sem chegar a ouvi-lo como arguido.

É uma inversão de tudo o que existe num processo penal sério: transformar os procuradores em suspeitos e os arguido em vítimas, os corruptos em coitadinhos e quem persegue a corrupção em os maus da fita. É a continuação da tentativa de pressão de Lopes da Mota. É a luta entre a Justiça e o Crime.

Esta gente é o máximo: será que já não há o direito de cobrar comissões nos actos de governo e de administração? de enriquecer na política e no Estado? então para que vale fazer carreira no partido? tirem daqui estes chatos destes procuradores que não sabem como as coisas são e deixem funcionar o mercado: quem pagar mais é quem leva a autorização, a licença, a adjudicação, o concurso. Querem acabar com o "sistema"?

Claro que querem acabar com o "sistema" e fazem muito bem.

Pelo modo como isto está a evoluir, poder-se-á chegar ao extremo em que os cidadãos comuns terão de se constituir assistentes no processo - têm direito de o fazer - e requerer formalmente a inquirição de Sócrates ou, em desespero de causa, participar criminalmente ao PGR a tentativa do crime de encobrimento.

Não esqueçamos como foi encoberto o caso de Camarate.

o burro vaidoso

Commonsense andava sem saber em quem votar: entre uma mula velha e um burro vaidoso a opção era o voto branco.

Mas as coisas mudaram, já não se trata só de um burro vaidoso, de um pipi suburbano, de um parolo ignorante: agora trata-se de um tiranete autoritário.

Commonsense não vai dar quartel:

sicuta para o Sócrates!

TVI 3

Com esta jogada porca de tomada de controlo da TVI, Sócrates conseguiu o impossível: fazer-me votar na Manuela. Vou fechar os olhos e votar. Acho-a francamente má, mas não pior que Sócrates... e em tempo de guerra não se limpam armas.

O projecto totalitário-empresarial de Sócrates está a pôr em perigo a nossa liberdade e cidadania.

É preciso fazer o que for preciso! É preciso correr com o Sócrates daqui para fora, e com a sua quadrilha de socretinos e salafrários.

A Manuela Moura Guedes é uma chata. É verdade. Mas é democrático ter de aturar quem diz mal do governo e dos governantes. Hoje passou a haver menos liberdade de imprensa e de expressão do que nos tempo de Marcelo Caetano. E isto por um projecto político-empresarial de controlo político total e de maximização do lucro.

Não pode ser!

Se os cidadãos não defenderem a república, ela não se defende sozinha!!!

TVI 2

Em resposta à tomada da TVI por Sócrates, só há uma reacção de imediato:

dessintonizar a TVI nos nossos televisores

TVI 1

O Moniz foi empurado para fora da TVI.
O telejornal da Manuela Moura Guedes foi suspenso na TVI.
Está em curso um ataque à imprensa livre como só na Venezuela de Chavez.

Sócrates, sim, aquele da falsa licenciatura, das assinaturas de projectos alheios, do Freeport, dos apartamentos no Heron Castilho, das ligações perigosas com tudo o que são empreiteiras e imobiliárias, e bancos (semi)falidos, como nem em Angola, o Sócrates da nossa vergonha está a tentar montar uma estrutura totalitária e autoritária de poder.

Mas nós não vamos deixar.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Pas fous, les Anglais

Em Inglaterra, a lei obriga os juízes e outros agentes da justiça a revelar se pertencem a uma maçonaria ou a outra organização congénere.

Ils sont pas fous, les Anglais.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

os 4 magníficos

Alberto Costa lança hoje livro escrito com o Procurador-Geral, presidente do Supremo e bastonário da Ordem dos Advogados. (Expresso)

Diz a notícia:

Durante um ano e mais ou menos uma vez por mês Alberto Costa, Noronha do Nascimento, Pinto Monteiro e Marinho e Pinto jantaram juntos e discutiram o estado da Justiça. Apesar de nem todos se darem exactamente muito bem, aceitaram o convite do ministro para escrever um livro "Justiça 2009" com o resultados das reflexões à mesa. O livro é para oferta e não vai ser posto à venda.

Estes quatro têm duas coisas em comum: a maçonaria e serem responsáveis pelo estado em que se encontra a justiça. Esta quadriga, aparelhada à carroça da injustiça, deve ficar como símbolo de que para haver justiça não chegam as estruturas: são necessárias pessoas justas, pessoas seriamente empenhadas na realização de uma justiça imparcial e igual para todos.

A Justiça faz-se com togas e becas: não se faz com aventais.

Não admira, pois, que o livro não seja posto à venda: o público não o compraria. Assim, somos todos nós, através do orçamento, a ter de o pagar.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

o Procurador-Geral da República

Com o perfil que foi lhe sendo dado, o Procurador-Geral da República deveria funcionar como o Pretor na República Romana (não no Principado nem no Império)- o Praetor Urbanus - e ser eleito pelo Parlamento, por maioria qualificada.
Responderia, então, perante o Parlamento e o POVO, pela política criminal e pelo combate à criminalidade, e seria destituido pelo Parlamento. A Polícia Judiciária ficaria na sua dependência directa e deixaria de ser uma Direcção-Geral do Ministério da Justiça.
O PGR teria de prestar contas, o que hoje não sucede. Explicar o que faz e, principalmente, o que não faz; porque é que constitui arguido o Dias Loureiro e não o Sócrates. Esta espécie de «legitimidade divina» do PGR é incompatível com os mais básicos princípios de democracia e só pode suscitar a maior desconfiança nos cidadãos.
Quando andava na política, fiz esta proposta e quase que me bateram.
Enfim, cada povo tem as instituições que merece.

sábado, 29 de agosto de 2009

o processo penal das pessoas importantes

Se Sócrates não fosse primeiro ministro de líder do PS já tinha sido constituído arguido no caso Freeport. Do mesmo modo, Vale e Azevedo só foi constituído arguido depois de perder a presidência do Benfica, Jardim Gonçalves depois de cair do BCP e Dias Loureiro depois de sair do Conselho de Estado.
Isto vem a propósito de notícias segundo as quais o processo Freeport já está «praticamente pronto» e só falta muito pouco para ser terminado. Entretanto, foram constituídos arguidos todos os próximos de Sócrates no Ministério do Ambiente, mas Sócrates não.
Não, ou ainda não? That is the question!
Vários indícios e pessoas apontam para Sócrates. Desde o célebre vídeo até as casinhas no Heron Castilho. Por isto, num inquérito competentemente e sadiamente desenvolvido Sócrates já teria sido ouvido. Não são suficientes as «declarações» que tem prestado na comunicação social. e, a ser ouvido, terá de o ser como suspeito, isto é, como arguido.
Eu sei que, enquanto for Primeiro Ministro, tal nunca sucederá, porque o processo penal português não tem «dente» para as pessoas importantes.
Mas daqui lanço um desafio ao Produrador-Geral da República: se o processo for concluído sem que Sócrates tenha sido ouvido como arguido, será a segunda maior vergonha da história do Ministério Público: a primeira foi o encobrimento no processo de Camarate. Pinto Monteiro e Cândida Almeida entrarão na celebridade... pela pior razão.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

lá está ela, a Manuela, a deitar pela janela...

Lá está ela, a Manuela, a deitar pela janela, a vantagem eleitoral que a descredibilização de Sócrates lhe tinha oferecido num bandeja (numa gamela?).
Tal como Barroso, há uns anos, (lembram-se do cherne?) entrou na campanha com maioria absoluta e saíu com relativa; e só não acabou por perder porque a campanha acabou a tempo.
E agora, a Manuela, indignou-se com a asfixia democrática.
Pois... disso sabe ela... a Manuela... que tão zelosamente a tem aplicado dentro do seu próprio partido.
Que balela...
De gaffe em gaffe... lá vai ela... a Manuela... a deitar pela janela...

... fast ...

FAST ... é uma palavra que me fascina.
Em inglês quer dizer «rápido»; em alemão significa «quase».
Pode, de vez em quando, ser utilizada no duplo sentido inglês e alemão.
Assim:
- «fast food» significa comida rápida que é quase comida;
- «fast journalism» significa jornalismo rápido que é quase jornalismo;
- «fast thinking» significa pensamento rápido que é quase pensamento...
E por aí em diante...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

cinema sem pipocas

A primeira vez que vi cinema com pipocas foi em Washington DC, em Novembro de 1975: vi o Nashville. Achei aquilo uma rasquice americana. Mas o filme era tão bom que compensou.

Como outras rasquices americanas, as pipocas acabaram por invadir os cinemas em Portugal. É repugnante o ruído do ruminar das pipocas, os cadáveres de pipocas colados na sola do sapato com coca cola da véspera e last but not least os comentários ordinários em voz alta. Deixei de ir ao cinema. Os filmes também não entusiasmam, todos com o mesmo tipo de script e com realizações siamesas. Enfim, rasquice americana.

Vou passar a comprar vídeos de filmes bons (para ficar com eles) e alugar menos bons (para ver e restituir).

Um apelo: alguém sabe de algum cinema sem pipocas?

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

a gripe, o tamiflu e a crise

Já estou estou farto da pandemia. É tal a propaganda que até deixa a impressão de decepção por não haver ainda milhares de vítimas. De tal modo que as contas até são feitas cumulativamente: já há N pessoas apanharam a gripe desde o início - o que não interessa nada - em vez de quantas estão actualmente com a gripe.

Há zelo na criação do pânico: se ainda não houve desgraça, podem ter e certeza que vai haver em Outubro/Novembro. E eu fico desconfiado. Faz-me lembrar outros pânicos criados nos média. Recordo o «bug do milénio». Criou-se laboriosamente o pânico. O pânico fez vender milhões de computadores. No fim, o pânico não se materializou. E ficou o lucro. O lucro, no caso da gripe, está no tamiflu. Este ano não houve gripe das aves (birdflu) e venderam-se poucos antivirais. Há crise nas farmacêuticas. É preciso vender mais. Antivirais e máscaras de papel. Comprem depressa porque vão esgotar.

Deus queira que não venha mesmo nenhuma epidemia catastrófica de gripe. Até agora, foi uma gripe vulgar que não causou problemas graves. Se vier, dou a mão à palmatória. Mas estou tão desconfiado...

De qualquer maneira, é sempre bom que as autoridades preparem o país para as crises. Está tudo tão preparado contra a gripe que o vírus, se calhar, assustou-se e fugiu.

Mas, já agora, bem podiam começar a preparar o país para a crise de desemprego que aí vem. Depois do Verão, quando as fábricas e empresas que fecharam em Agosto não re-abrirem e os seus empregados passarem à condição de desempregados... Receio que sejam muitos e que o sistema não esteja preparado para tantos. Não seria bem melhor preparar o país para esta crise?

É que esta crise parece-me bem mais inexorável do que a gripe e socialmente muito mais grave. Mas esta não dá a ganhar nada a ninguém.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Restauração da Monarquia pelo 31 da Armada

(em azul e branco)

Na República das Bananas, estavam todos os macacos a comer as bananas quando - eis senão quando - a Monarquia foi restaurada pelo 31 da Armada.


O macaco Costa ainda não se demitiu, os outros macacos também não. Não deram por isso, ainda não acabaram de engolir a sua banana.

Isto é o fim da macacada!

domingo, 9 de agosto de 2009

Casa Pia

A propósito, no meio de toda esta balbúrdia, ainda alguém se lembra do processo Casa Pia? E do Freeport? e do Portucale? e dos submarinos?

Maldita memória a minha!

sábado, 8 de agosto de 2009

the empire strikes back

Do Expresso:

PSD: Abaixo-assinado sugere a Carreiras que se demita

Um abaixo-assinado contra o presidente da Distrital do PSD de Lisboa, Carlos Carreiras já recolheu mais de uma centena de assinaturas de Delegados à Assembleia Distrital sugerindo ao dirigente social-democrata que se "cale ou se demita".

A máquina política da Manuela entrou em acção repressiva. Quer o poder total. Nos próximos dias veremos outros abaixo-assinados teleguiados contra as outras distritais que se atreveram a pensar pela sua cabeça.

Isto nada tem e surpreendente: a Manuela não é inteligente, mas é rancorosa.

Só surpreende o número de assinaturas - 50 - que é ridiculamente pequeno. É claro que vão aparecer mais assinaturas. Mas era preciso publicitar já no primeiro fim de semana e lá se telefonou para a agência de comunicação para «pôr» no Expresso.

Era bem melhor que a Manuela se dedicasse mais ao País, que bem precisa, em vez de gastar toda a energia e a pouca inteligência que tem em manobras internas de poder.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

calábria lusitana

Hoje, os dois partidos de poder - PS e PSD - representam uma clique de empresas/empresários que vão engolindo os subsídios europeus. Os dois partidos são os 'braços políticos' daquelas empresas/empresários. Embora formalmente haja uma democracia em Portugal, realmente há uma oligarquia mediaticamente assistida. O rotativismo entre PS e PSD, com umas coligações pelo caminho, assegura a perenidade do poder daquelas empresas/empresários. O povo, esse, continuará pobre e (pre)ocupado com o futebol.

Esta situação política é igual à que existe na Calábria, terra que se mantém com uma economia persistentemente deprimida, enquanto os subsídios europeus vão parar às mão da máfia.

Comentando isto com uma amiga italiana, dizia ela: isto é igual à Calábria, só que aqui a máfia não mata.
Perguntei, interessado: porque? aqui a máfia é mais fraca?
E a resposta foi que não, que aqui a máfia é mais forte, não precisa de matar, está no governo.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

votar em quem? votar em quê?

Vou ocupar os dias que me separam da eleição a decidir se voto branco ou em qualquer coisa que não seja o PSD.

Note-se que sou fundador do PSD e continuo a ter as minhas quotas em dia; e que tudo isto me repugna e me desgosta.

Mas, por fidelidade à ideologia do PSD, partido que ajudei a fundar, não poderei votar PSD.

Uma das coisas fundamentais que retenho dessa ideologia é que se deve votar em consciência e liberdade, e nunca por obediência, por cálculo, por espírito de grupo, ou como um mal menor. Nunca se deve ceder à imposição de um voto com que não se concorda. Sejam quais forem as consequências.

É assim a cidadania.

Nada disto encontro no actual PSD, nos seus candidatos, na sua direcção.

o défice neuronal da Manuela




- 59 a favor
- 37 contra
- 5 abstenções

Foi com esta votação que a Manuela e o seu grupo impuseram as listas de candidatos com que o PSD se vai apresentar às legislativas. Vai dividido, desavindo, desunido e enfraquecido. A óptima receita para perder.

A falta de inteligência da Manuela é uma liability para o PSD. Esta era a ocasião de fazer o contrário, de incluir em vez de excluir, de unir em vez de dividir, de renovar em vez de ir buscar as velharias (uma delas é ela própria).

O PSD está in deep trouble. Não vai dizer nada de novo aos eleitores. Concorre com os cavalos cansados do Loureirismo-Barrosismo-Manuelismo e com os Santanetes. É todo o sector negocista do partido - o PSDinheiro. Não vai ter grande resultado. Nas eleições, o voto é por cabeça, não é por capital.

Enquanto não se livrar da Manuela et al, dificilmente se poderá contar com o PSD. Depois das eleições haverá muita reconstrução para fazer.

O grande derrotado: Pacheco Pereira. Perdeu a credibilidade. Passou anos a criticar o aparelhismo para se aproveitar dele logo que teve a oportunidade. Tem uma qualidade no quadro da política baixa: fala bem. Quando ao resto, está tudo dito.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Isaltino

Não me surpreendeu a condenação do Isaltino. A sua defesa era demasiadamente inverosímil para ser convincente, isto é, eficiente. E não acredito que a condenação seja revertida em recurso.

É claro que as sentenças criminais limitam-se àquele específico caso e não têm função pedagógica. E, por isso, não suportam, em princípio, quaisquer ilações.
Mas levam-me a pensar que seria bom criminalizar o enriquecimento ilícito (o que a última assembleia supreendentemente recusou). Assim se conseguiria tratar dos escandalosos «milagres económicos» com que alguns políticos ficaram inexplicavelmente e inexlicadamente milionários. A pena, para este crime, mais do que privativa de liberdade, deveria ter como efeito a perda a favor da Comunidade (Estado, Misericórdias ou organizações de beneficência) de todo o património cuja obtenção lícita o condenado não conseguisse demonstrar.

Assim, sim, se moralizaria a vida pública e se daria aos Cidadãos fundamento para voltarem a acreditar na seriedade das Instituições e para abandonarem aquele cepticismo persistente que está a dissolver a República.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

socialmente explosivo...

Commonsense está em férias no Algarve. Este ano ainda é maior a densidade de Audis Q7, de BMWs X3, de Porsches Cayenne e a histeria de exibição de manifestações exteriores de sucesso.
Commonsense sabe que muitos destes instrumentos de exibição de riqueza, estão e estarão por pagar, e muito do que há de falso e de sórdido por detrás deles.

Mas não deixa de pensar como é imprudente e pouco inteligente esta atitude, quando se adivinha um Outono e um Inverno em que as fábricas que fecharam nas férias não vão reabrir, em que os empregos vão desaparecer, as casas com hipotecas em atraso vão ser executadas, os carros vão ser «recuperados» pelas leasings, os vencimentos parcialmente penhorados, os orçamentos familiares reduzidos à alimentação; e em que, no fim, chegará o tempo em que mesmo a comida e a roupa terão de ser poupados. Um tempo em que as famílias da classe média se irão individar, primeiro para continuarem um nível de vida que deixaram de ter; depois, mesmo para subsistir. Será o tempo dos agiotas e dos indigentes.
Virão então os roubos de comida nos supermercados... primeiro os furtos, depois os assaltos.

É muito imprudente juntar a pobreza com a opulência, principalmente quando a esperança rareia e a confiança nas instituições deixou de existir.

É socialmente explosivo.